Washington, 11 (AE) - Quando os ministros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo anunciaram, em março, uma redução de 2 milhões de barris por dia, ou cerca de 3% da produção mundial, para drenar o excesso de estoque que deprimira o preço do produto a seu ponto mais baixo em 12 anos, executivos de grandes empresas petrolíferas ocidentais duvidaram da capacidade dos membros do cartel de ter disciplina suficiente para levar a cabo tal decisão.
"Isso não muda minha idéia sobre a Opep", disse Alan Struth, economista-chefe da British Petroleum Co. O executivo não acreditava que a entidade pudesse desenvolver um plano de longo prazo. Tampouco se convenceu do contrário quando o preço do barril saltou de perto de US$ 10 por barril, em dezembro de 1998, para US$ 15,5 duas semanas após o anúncio da Opep. "Não passa de um aumento temporário do preço", apostou.
Daniel Vallot, chefe de exploração e produção da companhia francesa Total, também manifestou seu ceticismo. "Levará pelo menos seis meses até as pessoas começarem a acreditar", disse, na época. E foi justamente o que aconteceu.
Pressionado pelo crescimento da demanda e pela surpreendente disposição dos membros da Opep de implantar seu plano de redução da produção, sem fazer trapaças uns com os outros, o preço do barril chegou a US$ 23 na última quinta-feira
o nível mais alto em 32 meses, podendo subir ainda mais.
Ninguém prevê uma reprise dos choques do petróleo da década de 70, quando o barril chegou a US$ 40. Segundo John Litchblau, presidente da Petroleum Industries Research Foundation, de Nova York, o aumento representa "uma correção" dos preços excepcionalmente baixos no ano passado e deve levar o barril de petróleo a estabilizar-se na faixa de US$ 18 a US$ 20 pretendida pela Opep num prazo de seis meses a um ano.
O consenso entre os analistas do setor é que, se a Opep mantiver as restrições à oferta, o preço do barril poderá chegar à faixa dos US$ 25 a US$ 27 até o fim do ano. O aumento da demanda durante o inverno dos países industrializados e a retomada das economias asiáticas devem pressionar para cima os preços. Passado esse período, a tendência é de queda.
Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), com sede em Paris, a demanda mundial deverá aumentar de 74,8 milhões de barris ao dia, neste trimestre, para 76,9 milhões no próximo. Os países da Opep, que produzem no momento pouco mais de um terço desse total, ou 26 milhões de barris, reúnem seus ministros dentro de duas semanas, em Viena, com a credibilidade restaurada pela capacidade de executar a redução da produção.
Nos últimos dias, vários deles indicaram que vão manter as atuais restrições até os estoques voltarem aos níveis de 1996 e 1997. Presumindo que a Opep mantenha a produção no nível atual (2,1 milhões de barris abaixo de março de 1998 e 1,2 milhão abaixo de dezembro) a IEA prevê uma redução do estoque excedente global (em relação a 1997) para 212 milhões de barris no fim deste mês e seu desaparecimento até dezembro de 1999. Em meados do ano passado, esse excedente chegou a 482 milhões de barris.
Segundo executivos do setor, os ciclos de preço do petróleo acontecem entre um e dois anos. A depressão do preço do barril no ano passado reduziu em US$ 40 bilhões os gastos dos americanos com combustível, mas ela também acelerou os planos de fusão entre grandes empresas petrolíferas empenhadas em cortar custos, provocando a desativação de mais de 140 mil poços de petróleo somente nos Estados Unidos e, obviamente, gerou desemprego no setor.
O aumento do valor do barril a um nível mais atraente levará, naturalmente, à reativação de uma parte desse poços. Da mesma forma, deve animar os próprios países da Opep, a começar pela Venezuela, que está desesperada por divisas, a aproveitar-se dos preços mais altos para vender mais petróleo. Como não se espera que a Opep reduza ainda mais a produção, a previsão dos analistas é que, com o aumento gradual da oferta a partir do ano que vem, os preços estarão perto de US$ 20 por barril em março ou abril de 2000.

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