Rio, 5 (AE) - O preço do petróleo deve continuar a subir no mercado internacional nos próximos três meses, segundo prevêem analistas do setor, o que levará a novos reajustes nos preços dos combustíveis. Os aumentos seguirão a política adotada pelo governo - e reafirmada hoje na revisão de metas do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) - de, na prática, seguir os parâmetros de um mercado desregulamentado.
"O que está acontecendo agora vai acontecer naturalmente depois da desregulamentação", diz o analista Márcio Brito, do Banco Icatu. A diferença era que, até agora, o governo só acompanhava os preços internacionais na subida. Quando a commodity baixava, a redução não se refletia para o consumidor final. "O que entendemos hoje é que o impacto se dará nas duas pontas", diz Brito.
O presidente da Petrobrás, Henri Philippe Reichstul, lembrou que desde agosto do ano passado, os preços calculados pela Petobrás nas refinarias (chamados preços de realização) acompanham o mercado externo. Mas, o que é efetivamente cobrado das distribuidoras (preço de faturamento) inclui, além da contribuição do PIS/Cofins, a Parcela de Participação Específica (PPE), espécie de tarifa recolhida pelo governo.
Esta conta da PPE, com o petróleo em baixa até dezembro do ano passado, quando o barril chegou a ser cotado a US$ 10, rendeu superávits mensais que chegaram a quase US$ 400 milhões. O preço da commodity começou a subir e o ganho do governo começou a ser enxugado.
No primeiro trimestre deste ano, a PPE rendeu R$ 1,2 bilhão, ante os R$ 1,6 bilhões do último trimestre do ano passado. O balanço do segundo trimestre ainda não foi divulgado.
Reichstul comentou que, com a medida anunciada hoje, o governo está garantindo a meta de arrecadação com a PPE e, ao mesmo tempo, acompanhando o mercado. "Os preços de realização da Petrobrás já acompanham o mercado externo", afirmou. Diretor da Atef Consultoria e Investimentos no Mercado Futuro de Energia
Leonardo Caldas acredita que o barril de petróleo, que ontem superou os US$ 19 na Bolsa de Nova York, chegue perto dos US$ 22 tidos como preço ideal pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), mas não deve se manter neste patamar até o fim do ano.
"Os fundos de investimento de commodities, que ditam o ritmo do mercado, compraram muito com estas altas, mas devem começar a vender no último trimestre", diz o analista, que foi operador na Bolsa de Nova York durante 12 anos. Mesmo assim, ele considera impossível que o petróleo caia aos níveis de 1986, como ocorreu no início do ano. "O mercado está virando e o petróleo se fortalecendo", diz ele, lembrando que, no mercado interno houve, também no início do ano, um grande prejuízo com a desvalorização do real. O impacto já levou a quatro reajustes, sendo o mais forte em junho, com o aumento de 18%.

mockup