São Paulo, 27 (AE) - A cesta básica está perdendo uma das principais âncoras que ajudaram a segurar seu preço este ano. O feijão ainda acumula baixa de 45,51% desde o início do ano, mas o processo começa a reverter-se.
O produto vem subindo continuamente nos supermercados de São Paulo desde o dia 18, conforme pesquisa diária do Procon-Dieese na capital. No acumulado de agosto, a alta é de 29 33%. Só hoje, o preço aumentou 2,11% para o consumidor.
O comportamento do produto no atacado e a perspectiva ruim para a próxima safra indicam que essa alta será maior nas próximas semanas. "Por enquanto, o movimento é especulativo, mas logo haverá desabastecimento", diz a coordenadora da pesquisa da cesta básica no Procon, Neide Ayoub.
A alta de preços foi provocada pela redução da oferta por causa da quebra da safra de inverno, com as chuvas no Nordeste e a geada no Sul. A área plantada também foi reduzida, justamente porque o preço estava muito baixo nos primeiros meses do ano.
No atacado, o feijão subiu 112% desde o início do mês. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), Wilson Tanaka, diz que em alguns supermercados os preços já subiram 70%. Ele acha que o preço atual, de R$ 1,40 a R$ 1,50 o de primeira linha, deve subir para R$ 2,20 até outubro.
Neide Ayoub, do Procon, diz que, se a queda nos preços do arroz e do feijão fosse desconsiderada, a redução do custo da cesta básica este ano teria sido de 5,42% e não de 1,08%. Ou seja, a cesta deve começar a subir com mais força na próxima semana.

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