Brasília, 05 (AE) - Mesmo incorporando em seus preços gastos com publicidade, impostos, encargos e lucro, os medicamentos fabricados pelos laboratórios oficiais ainda seriam entre duas e oito vezes mais baratos do que os produzidos pelas laboratórios privados. A garantia foi dada hoje pelo presidente da Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (ALFOB), Jorge Bermudez, em depoimento à CPI dos Medicamentos.
Bermudez apresentou uma simulação comparando preços de três medicamentos usados no tratamento da hipertensão e um para diabete. "Escolhemos essas drogas porque são de custo alto, uso contínuo e demanda crescente."
Cobrança - "Isso prova como os preços dos laboratórios são escorchantes", disse o deputado Fernando Zuppo (PDT-SP), um dos que cobraram do representante do Ministério da Saúde na reunião explicações sobre o motivo de o governo não combater os abusos de um setor que, entre 1991 e 1998, aumentou seus preços em 320% , em dólar.
Geraldo Biasoto Júnior, secretário de gestão de investimentos do Ministério da Saúde admitiu o total descontrole
mas afirmou que "usar a pena nesse caso pode ser contraproducente, a coibição tem que ser uma construção social coletiva para a qual a CPI contribui".
Com o projeto para ampliar o número de laboratórios oficiais, o governo espera que o percentual do mercado atendido por esses laboratórios suba de 6% para 17% nos próximos anos. Pouco, uma vez que, a Organização Mundial de Saúde estima que o atual consumo de remédio para hipertensos e diabéticos corresponde a menos da metade da demanda potencial. O resto não tem acesso ao médico ou não pode comprar o remédio. "Isso vai melhorar a oferta na rede pública, mas será insuficiente para controlar preços", admitiu Bermudez.

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