Preço de Corsa popular equivale a quase 3 vezes a renda per capita
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quinta-feira, 30 de setembro de 1999
Por Marli Olmos 
São Paulo, 01 (AE) - O preço de um Corsa popular, a partir de hoje, equivale a quase três vezes a renda per capita brasileira, que é de R$ 5.238. Até ontem, o preço médio dos carros populares equivalia a 2,59 rendas per capita; hoje, saltou para 2,93. Se com o aumento de preços a compra deste popular demanda quase três anos de renda per capita, em 1995, para comprar o mesmo carro zero-quilômetro era preciso um ano e meio de renda. Ou seja, na comparação com a renda média do brasileiro, a necessidade de poder aquisitivo para adquirir o carro mais simples do País cresceu 85% no período.
O Corsa Wind passou a custar hoje R$ 15.257, 13,4% mais. Até ontem o preço médio dos modelos populares era r$ 13.443. Há um ano, R$ 8.271. A simulação segue na contramão dos carros de luxo, que ficaram mais baratos com a nova grade de IPI. Os concessionários Chevrolet não repassaram os aumentos hoje. "O preço do carro usado do nosso cliente continua sendo o mesmo de ontem", disse o gerente de vendas da Trans-Am, concessionária de São Paulo. Segundo ele, o usado precisa ser valorizado e isso vai levar um tempo. Ele considerou "uma utopia" o reajuste de 13,4% no popular da marca.
Os revendedores não vêem nenhuma possibilidade de repassar os ajustes. Quase todos reforçaram os estoques nos últimos dias para poder garantir preços mais baixos por mais tempo. Para Faraj, até mesmo a queda de cerca de R$ 1.000 no preço da Blazer V6 não ajudará a aquecer as vendas neste segmento de mercado. Os concessionários de todas as marcas marcaram promoções especiais no final de semana para tentar desovar estoques.
A indústria já sabe que a mudança de IPI não alterará muito as vendas porque para o consumidor o que importa é o preço final, que subiu na maior parte dos carros. O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), José Carlos Pinheiro Neto, não eliminou a possibilidade de demissões nos próximos meses. O acordo emergencial garantiu estabilidade para os 260 mil metalúrgicos da cadeia automotiva até 30 de novembro. Pinheiro Neto disse que não acredita em demissões em dezembro. Mas disse não saber o que acontecerá a partir de janeiro.


