Taipé, 23 (AE-DOW JONES) - Os preços dos chips de memória para computadores DRAM (Dynamic Random Access Memory) subiram 16% em Taiwan depois do terremoto de terça-feira.
"Há um pânico de compras no mercado de DRAMs. Mas os preços estão extraordinariamente altos", comentou Don Floyd, chefe de pesquisa sobre tecnologia na ásia da Crédit Lyonnais Securities em Taipé.
O preço "spot" de um chip DRAM de 64 megabits estava hoje em US$ 17,00, de US$ 14,60 na sexta-feira passada e apenas US$ 4,00 em junho.
A previsão dos analistas é que o preço suba para US$ 20,00 entre setembro e outubro, período de maior demanda por chips DRAM.
O terremoto interrompeu o fornecimento de energia elétrica para o Parque Industrial-Científico de Hsinchu (o chamado "vale do silício de Taiwan"), e a estatal Taiwan Power informou que a energia não será restaurada antes de domingo.
Os seis dias de falta de força, e mais a previsão de uma demorada recalibragem dos instrumentos ultra-sensíveis dessa indústria, provocaram preocupação na indústria de computadores de todo o mundo.
Os fabricantes de Taiwan respondem por 15% da produção mundial de chips DRAM. A ilha é o quarto maior produtor mundial de semicondutores e presta serviços para as maiores empresas globais do setor.
Caso haja uma interrupção de duas semanas na produção, "teremos uma queda de 4% na oferta global de chips DRAM durante os próximos dois meses", disse Floyd. "Num mercado que já está passando por problemas de oferta, isso vai exacerbar a situação", acrescentou.
Ele ressalvou que a alta nos preços é temporária. "O terremoto vai fazer com que os preços fiquem nesses níveis por mais tempo do que se previa, mas isso não dura muito. Os preços estão altos demais."
Para o analista Doug Lee, da Goldman Sachs em Hong Kong, a alta dos preços ocorrida esta semana resultou principalmente da falta de informações disponíveis sobre a extensão dos danos sofridos pelas indústrias de Taiwan com o terremoto.
Empresas como a Winbond Electronics e a Mosel Vitelic disseram ser impossível medir o impacto do terremoto com exatidão até que o fornecimento de energia seja restabelecido. Algumas empresas deverão recuperar seus níveis de produção antes do que outras.
A Powerchip, por exemplo, já havia restabelecido a energia em sua fábrica de Hsinchu poucas horas depois do terremoto.
"A Mitsubishi Electric, do Japão, participou da construção da fábrica da Powerchip. Depois do terremoto de Kobe, ela redesenhou a fábrica, de modo que ela pudesse resistir até a um terremoto de intensidade 9", disse Floyd.

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