São Paulo, 27 (AE) - Mário Marconini, secretário de Comércio Exterior, informa que só em abril deste ano, em compração com o mesmo mês de 1998, o Brasil perdeu 36% de receita com a exportação de soja, um dos principais itens na pauta de exportações do País.
Em média, o preço das commodities no mercado internacional caiu 18% desde 1997, e, em relação à década de 70, o preço das matérias-primas perdeu 2/3 de seu valor, de acordo com a Unctad. Mas não é só o preço que está afetando o desempenho das exportações de commodities nacionais. A retração dos mercados, principalmente os asiáticos, também jogam papel fundamental no comércio internacional.
Nos primeiros cinco anos da década de 90, por exemplo, a ásia (excluindo a China) respondia por 2/3 do acréscimo das exportações. A ásia era ainda responsável por 23% da absorção dos metais e por 20% das importações de alimentos, mas, a partir de meados de 1997, a situação mudou.
As previsões do governo para a balança comercial este ano mostram isso. Se o preço dos produtos brasileiros cair 10%, por exemplo, as exportações brasileiras devem crescer 5,5%. Caso o preço caia 15%, as vendas externas do País devem aumentar somente 4% até o final do ano.
Por sua vez, se o PIB nacional cair 1%, as importações devem recuar 13,6%. Mas se a economia se retrair 2% este ano, as compras do exterior devem cair 15,6%. Com essa composição de fatores e cenários, o superávit da balanca comercial deve ficar entre US$ 3,4 bilhões e US$ 5,3 bilhões, de acordo com o secretário de Comércio Exterior.
Máxi - Tanto a Cepal como a Uncat são unânimes ao afirmar que as desvalorizações ocorridas na ásia a partir de meados de 1997 não promoveram, e muito menos, estimularam as exportações dos países dessa região. Alguns dados do comportameto das exportações brasileiras ilustram essa situação. Em 1980, quando o Brasil fez a maxidesvalorização, as vendas externas do País começaram a crescer apenas quatro anos depois, justamente quando a economia mundial começava a se aquecer. "As exportações são muito mais sensíveis ao crescimento econômico do que a qualquer desvalorização", afirma o Marconini.
O principal efeito de uma desvalorização, portanto, não é a alavancagem das exportações, mas o desaperecimento de linhas de crédito para esse fim. "O sistema de financiamento afetou de forma siginificativa as exportações asiáticas no período da crise cambial naquela região", diz Pedro Sainz, economista da Cepal.
De acordo com ele, o mesmo fenômeno está ocorrendo com o Brasil, com mais um agravante: o das altas taxas de juros internas, que impedem o acesso ao crédito para finaciar as exportações. "Se não tivéssemos tido restrições de crédito, as exportaçõs brasilieras teriam sido de US$ 12 bilhões no primero trimestre deste ano e não de US$ 10 bilhões", complementa Mario Marconini, secretário de Comércio Exterior.

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