São Paulo, 09 (AE) - O preço da saca de semente de trigo começa a sofrer os efeitos do aumento da demanda, em função de um cenário mais promissor para triticultura proporcionado pela desvalorização do real. Segundo Flávio Turra, técnico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o preço da saca de 50 kg de semente, na média, já subiu 24% em relação aos preços praticados em 1998.
A saca está custando, hoje, na média R$ 21 ante R$ 16,90 em igual período do ano passado. Porém, algumas cultivares podem chegar até R$ 25. Mesmo descontando os efeitos da desvalorização do real, o preço da saca indica uma maior procura pelas sementes em um cenário de pouca disponibilidade do produto, provocada pela safra irregular de 1998, prejudicada de forma expressiva pelas chuvas.
Segundo Pedro Diehl, analista da Agricampo, consultoria agrícola de Curitiba, algumas variedades de sementes de trigo, como a Iapar 78 e a Iapar 53, que apresentam maior produtividade
já não são mais encontradas. Diehl explica que existe, hoje, no mercado, maior disponibilidade da variedade OR1, que, na safra passada, produziu um trigo de qualidade abaixo do esperado.
Turra acredita que existam disponíveis, hoje, 2,5 milhões de sacas de sementes no Paraná, o que daria para plantar um pouco mais de 900 mil hectares, uma área 10% superior a da registrada em 1998. Esta área plantada, considerando uma produtividade de 1,85 tonelada por hectare, produziria uma safra
no Paraná, de 1,77 milhão de toneladas.
"Se a safra paranaense atingir este volume, o Brasil conseguirá produzir, em 1999, as 3 milhões de toneladas almejadas pela Conab", explica Turra, da Ocepar. Devido a pouca disponibilidade de semente, Turra disse, contudo, que, para atingir esta produção, será necessário um rebaixamento do padrão de sementes normalmente utilizado. "Será necessária o uso de sementes com menor poder de germinação", disse. Ele disse que também será necessária a importação de sementes do Rio Grande do Sul.
Para Antonio Garcia, analista da Coamo, a demanda por semente tem sido forte e devido à pouca disponibilidade do produto, muitos triticultores irão plantar trigo em grãos. Garcia estima que 5% da área plantada com trigo no Paraná deverá ser com grãos.
Turra informou também que muitos produtores irão optar por plantar trigo nesta safra em vez do milho safrinha. "Apesar do milho safrinha ter um custo menor de produção e uma rentabilidade semelhante ao do trigo, muitos produtores irão preferir plantar o trigo porque, com o atraso da safra de soja, os produtores apenas poderão iniciar o próximo plantio após a época ideal para o milho já ter passado", disse. Isto, segundo ele, contribuirá para que a meta do go verno de 3 milhões de toneladas seja atingida.

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