São paulo, 5 (AE) - Com o aumento dos combustíveis, donos de frotas de veículos e até mesmo pessoas físicas voltaram a considerar a possibilidade de transformar os motores de seus veículos em bi-combustível, de forma a permitir o uso alternativo do gás natural. A Retífica Motor-Vidro, por exemplo, de São Paulo, está com carteira de serviços lotada até 22 de agosto, por causa de encomenda de grandes empresas, que decidiram tentar a conversão para reduzir custos com a frota.
"A conversão é indicada para quem roda mais de 100 quilômetros por dia", informa o diretor comercial da empresa, Jeferson Candeo. "Para quem roda 200 quilômetros por dia, de segunda a sexta-feira, por exemplo, o investimento é recuperado em apenas três meses." Segundo ele, a conversão é recomendada também para quem possui carro que gasta muito - menos de 6 quilômetros por litro de gasolina, desempenho comum em modelos grandes e mais sofisticados.
A conversão custa entre R$ 2,6 mil e R$ 3,5 mil, em média, para veículos com injeção eletrônica, e entre R$ 2,1 mil e R$ 2,9 mil para aqueles com sistemas de carburação. A despesa pode ser maior em caso de picapes importadas.
Um detalhe deve ser estudado pelo consumidor. Na cidade de São Paulo, existem 24 postos de abastecimento, distribuídos pelos principais corredores da cidade. No trajeto São Paulo-Rio de Janeiro também há opções. Para usuários de outras rotas, é preciso pesquisar a facilidade de reabastecimento de gás antes de tomar a decisão. "O reabastecimento também é bem mais lento do que no caso de veículos tradicionais", informa o presidente do Conselho Nacional de Retífica de Motores, José Arnaldo Laguna
com oficina em Ribeirão Preto. Num veículo de passeio, a autonomia pode ser de 150 quilômetros a 200 quilômetros, conforme o tamanho do cilindro (recipiente do gás) Não poluente e hoje bastante seguro, o gás natural (ou metano) nada tem a ver com o perigoso gás de cozinha, utilizado clandestinamente por taxistas na década passada.
Seu uso está autorizado para todo tipo de automóvel e em todo o território nacional há cerca de três anos. Além da economia, outra vantagem é escapar do rodízio estadual de São Paulo - por não causar poluição, os veículos movidos a gás natural estão liberados da restrição. Do rodízio municipal, não há como fugir, já que neste caso a idéia é reduzir o trânsito.
As oficinas que fazem retífica de motores informam que a economia proporcionada pelo combustível é de 70% em relação à gasolina. Os gastos com manutenção do carro também caem - o óleo dura mais, o motor não sofre tanto com resíduos.
Mas tantas vantagens não devem levar o consumidor a agir por impulso.
Candeo recomenda que o interessado confira se a oficina escolhida tem o laudo de capacitação técnica do Inmetro e se possui outras certificações de qualidade e excelência. "Como os equipamentos de conversão são, em geral, importados, também é importante saber se a oficina é distribuidora oficial do equipamento e se garante reposição de peças, em caso de necessidade." O tempo da empresa no mercado é outro ponto importante, assim como a existência na retífica de oficina com laboratório de injeção eletrônica, já que esse equipamento deve ser regulado novamente, após a transformação do motor.

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