Preço da CRT será definido por arbitragem
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domingo, 06 de fevereiro de 2000
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 06 (AE) - O preço a ser pago pelo controle da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) será definido por arbitragem. A informação foi dada hoje pelo presidente do consórcio Tele Centro Sul (TCS), Henrique Neves, afirmando que o dono da maior parte das ações, a Tele Brasil Sul (TBS), comandada pela Telefônica, aceitou esta forma de solução.
Neves admitiu, porém, que há muitos detalhes à espera de definição. Não foi acordado, por exemplo, se o valor valerá "apenas para cima" - a TCS fez uma proposta pelas ações da TBS considerada baixa pelo vendedor - ou se poderá oscilar abaixo ou acima do valor oferecido. O preço mínimo pedido pela TBS foi de R$ 1,09 bilhão. Neves não revelou o montante proposto.
A TCS foi o único consórcio que se habilitou a adquirir os 85,1% do capital votante em poder da TBS e, desde sábado, passou a administrar provisoriamente a CRT. Neves disse que prefere a designação de, no máximo, três árbitros, a serem nomeados pelas duas partes. Ele acha que, a princípio, o processo não consumiria mais de 30 dias e seria rápido e simples.
Se a TCS comprar a parte da TBS, ficará com 93% do capital votante da ex-estatal gaúcha, que começou a ser privatizada em 1996. Caso isso se confirme, a TCS passará a responder por 32% dos terminais telefônicos no País (hoje tem 24%), próxima da Telefônica e da Telemar, as maiores do mercado.
A TBS, que já controla a Telesp, não conseguiu negociar a sua parte da CRT e teve de se afastar da gestão da empresa por força das regras do setor - o mesmo grupo não pode controlar a telefonia em mais de uma região do País - e por determinação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A TCS pretende comprar a totalidade das ações da TBS. Como gestor temporário da companhia, Neves anunciou a realização de uma assembléia-geral de acionistas da CRT para o dia 17, para eleição de uma nova diretoria. O Sindicato dos Telefônicos/RS (Sinttel) programou uma greve para a quarta-feira, mas Neves quer abrir um diálogo com os trabalhadores para que suspendam a ameaça. Quanto ao governo do Estado - que possui 4,1% das ações da CRT - Neves relatou que o diálogo tem sido franco, aberto e receptivo.
O presidente da TCS terá reuniões amanhã com os gerentes da CRT para apresentar os representantes indicados pelo consórcio para a companhia. O coordenador será Roberto Medeiros, que terá o auxílio de Vitor Moura e Giorgio Bampi (ambos da área de finanças), Ayrton Capella (técnica) e João Rached (administrativa).
A Tele Centro Sul (TCS), principal sócia minoritária da gaúcha Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), confirmou sábado que assumiria o controle da empresa a partir de meia-noite do mesmo dia. Não deve enfrentar impedimentos, porque a espanhola Telefônica, maior acionista da CRT, informou que deixou a CRT à meia-noite de sexta-feira.
A Telefônica lidera a holding TBS, que detém 85,19% da CRT, e tinha prazo até sexta-feira para definir a venda de sua participação na companhia. Mas as tentativas de acordo esbarraram no preço. As ações poderiam ser vendidas apenas para a TCS, a Sercomtel ou a CTBC-Algar, porque os três grupos já atuam na região Centro-Sul do Brasil. A TCS foi a única a apresentar proposta, mas o preço não agradou à Telefônica. O grupo espanhol divulgou em comunicado que a oferta da TCS "ficou mais de R$ 600 milhões abaixo do valor considerado justo".
A TCS teria oferecido R$ 1,32 bilhão. Segundo a assessoria de imprensa da TCS, a empresa e a Telefônica ainda discutem a alternativa de cada uma indicar um árbitro, que apontariam um terceiro árbitro para decidir sobre o preço final.
Quando comprou o controle da Telesp, em julho de 1998, a Telefônica foi avisada de que teria de se desfazer da CRT, porque não poderia estar no controle de duas empresas de telefonia fixa. O prazo de 18 meses expirou na sexta-feira, após uma semana de brigas na Justiça. Na quarta-feira, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou que a Tele Brasil Sul (TBS) fosse afastada do controle. A CRT apresentou pedido de liminar para suspender a decisão da Anatel, mas o juiz substituto da 14.ª Vara Federal em Brasília, Rafael Paulo Soares Pinto, negou a solicitação. Na sexta-feira, o juiz Carlos Fernando Mathias, do Tribunal Regional Federal da 1ª. Região, em Brasília, também rejeitou os recursos.
O governo do Rio Grande do Sul informou que pedirá intervenção da União na CRT até que o impasse seja superado. A decisão foi anunciada na própria sexta-feira, depois que a Assembléia Geral Extraordinária convocada pela CRT, para retificar os novos controladores, foi encerrada pela TBS menos de dez minutos depois da abertura, sem deliberação alguma.


