Preço da carne deve subir com fechamento de fronteiras do MS
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quinta-feira, 11 de março de 1999
Por Eduardo Magossi ATENÇÃO EDITOR: Retranca coordenada com PECUáRIA/AFTOSA 
São Paulo, 12 (AE) - Os preços da arroba do boi deverão subir no segundo semestre de 1999 no mercado físico, quando as fronteiras do Mato Grosso do Sul com os outros Estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste forem fechadas, no final de junho. A estimativa é do analista Élio Micheloni, da Fortune Consultoria.
Segundo ele, o fechamento das fronteiras do MS com os demais Estados do circuito é uma medida praticamente certa depois da reunião realizada esta semana em Cuiabá. A reunião decidiu que MS continuará fazendo parte do Circuito Pecuário Centro-Oeste mas não vai pleitear este ano a declaração de área livre de aftosa, o que deve ocorrer com os demais Estados do circuito.
Segundo Micheloni, isto fará com que as fronteiras do MS sejam fechadas e o volume de boi daquele Estado - que possui um rebanho da ordem de 20 milhões de cabeças, o maior do circuito - que vinha para os demais será reduzido. "O que acontecerá é que os preços da arroba no MS cairão internamente devido à maior oferta que ficará confinada no Estado" , disse.
Ele explicou também que em Estados como São Paulo, que dependem do boi de MS, os preços devem subir, pois a oferta vai ser reduzida e os frigoríficos terão que buscar boi em outras regiões.
Segundo Flávio Turra, analista da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), a partir de julho, o MS deverá se transformar em uma região "tampão", uma espécie de área que funcionará como um filtro para os bois.
Quarentena - O analista participou do encontro em Cuiabá que definiu a situação do Circuito Pecuário Centro-Oeste. Turra explica que o boi em pé do MS poderá vir para os outros Estados do circuito. "Porém, para adentrar ao restante do circuito, o boi do MS terá que passar por uma quarentena", disse.
Segundo ele, o boi terá que ficar cerca de 15 dias de observação no MS e mais 15 de dias de observação no Estado em que ele for entrar. "Nos dois estágios terá que ser feita sorologia", disse.
Com a definição do MS como região tampão, o custo de se trazer boi do MS pode tornar inviável a compra de boi deste Estado. Com o fechamento, carne com osso não vai poder sair do MS.
Turra acredita que este novo cenário vai obrigar o Estado a se industrializar mais rapidamente. "O MS terá que começar a produzir carne sem osso se quiser compensar a perda que terá com a provável menor venda de bois", disse.
Ele acredita que, no segundo semestre, haverá uma maior tendência de alta sem a carne do MS. "Haverá alta mas não uma alta expressiva. O mercado vai ter que aprender a trabalhar sem a abundância de produto com que está acostumado", disse.


