São Paulo, 10 (AE) - A Pirelli pagará R$ 1,12 por quilo de borracha seca (beneficiada) e a Goodyear pagará R$ 1,05/kg de borracha seca, informou hoje a Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos (Anip). Os representantes do setor oficializaram ontem (09), durante reunião da Câmara Setorial da Borracha, os novos preços que as indústrias pagarão às usinas de beneficiamento a partir da última semana de fevereiro, quando retomarão as compras.
Segundo o presidente da Câmara, Jaime Vazquez Cortez, os preços estão sendo reajustados levando em conta a valorização do dólar, uma vez que os preços domésticos se baseiam nos preços da borracha no mercado internacional.
O presidente da Anip, Gerardo Tomasini, afirmou na reunião que as indústrias de pneumáticos retomarão as compras, com o preço novo, depois do Carnaval. "Estamos esperando a reativação dos negócios do setor depois do Carnaval", confirmou Cortez, explicando que a indefinição do câmbio no mês de fevereiro deixou os negócios paralisados, não só no setor de borracha mas em todos os setores da economia.
Desde a desvalorização do real, as entregas de borracha natural dos produtores às usinas de beneficiamento vêm ocorrendo normalmente, sem interrupção. Segundo João Sampaio, da Comissão de Borracha da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), os produtores receberão os preços de janeiro pela borracha entregue nas três primeiras semanas de fevereiro.
"O preço novo para os produtores começa junto com as compras das indústrias, depois do Carnaval", disse Sampaio. "Na minha opinião, os preços não são retroativos", afirmou.
Produtor - Sampaio afirmou que a grande mensagem da reunião da Câmara Setorial da Borracha de ontem é a de que "todo o setor - produtores, beneficiadores e indústrias - acredita na normalização das atividades a partir de março. A idéia é esperar até lá", disse. Sampaio informou também que na última semana de fevereiro haverá uma maior definição dos preços que as usinas pagarão aos produtores.
Segundo o presidente da Câmara Setorial da Borracha, Jaime Cortez, a lei que regulamenta as atividades do setor não estipula as bases para o preço da borracha ao produtor. "O hábito do mercado é de que as usinas fiquem com uma porcentagem do valor pago pela indústria, que varia de 68% a 72%", disse.
Cortez acrescentou que vem defendendo, há algum tempo, a formalização da relação entre os produtores e as usinas, no âmbito da Associação dos Produtores de Borracha, que reúne ambos os elos da cadeia.
Cortez considerou relativamente alta a diferença entre os preços a serem pagos pelo quilo de borracha seca pela Goodyear e pela Pirelli. Segundo ele, o presidente da Anip, Gerardo Tomasini, assumiu o compromisso de se esforçar para minimizar essa diferença.

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