Preço da arroba do boi é um dos menores em 30 anos
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quinta-feira, 04 de março de 1999
Por Eduardo Magossi 
São Paulo, 05 (AE) - O mercado físico de boi termina a semana bastante fortalecido, com mais negócios sendo registrados a R$ 33 por arroba. O preço parece alto em real mas em dólar, segundo o Indicador Esalq-BM&F, a arroba está em US$ 14,99, um dos menores preços dos últimos 30 anos, apenas superada pela baixa registrada em junho de 1985, quando a arroba chegou a ser negociada a US$ 14,31.
Segundo o engenheiro agronômo e consultor, Marcelo Couto
a desvalorização do real provocou este cenário artificial, com estes preços baixos em dólar, a prazo, também artificiais. Segundo ele, este quadro fez com que os pecuaristas praticassem esta retenção de gado fazendo com que os preços subam, em reais, artificialmente.
"Em janeiro o volume de abates caiu de forma expressiva. Apenas foi abatido boi para exportação, criando uma reserva de gado que terá que ser colocada no mercado em algum momento", disse.
Couto disse também que dada a atual instabilidade do mercado impede que um cenário de longo prazo seja possível de prever mas ele acredita que com a alta no custo de produção provocará uma maior escassez de boi na entressafra.
Apesar dos negócios registrados a R$ 33, os frigoríficos exportadores estão conseguindo comprar mais barato, a R$ 32,50 a prazo para descontar o Funrural ou R$ 31,50 livre e à vista. Segundo Élio Micheloni, da Fortune Consultoria, os frigoríficos exportadores acabam conseguindo preços melhores porque estão comprando com maior frequência, apesar de sempre comprarem em pequenos lotes.
Micheloni informa que os frigoríficos exportadores estão com escalas mais folgadas, até quinta-feira da próxima semana enquanto os demais têm escalas até segunda.
Segundo ele, os frigoríficos que atuam apenas no mercado interno estão reduzindo sua capacidade de abate e,desta forma, vender um menor volume de carne para seus clientes, não perdendo mercado. No atacado, os preços voltaram a ficar mais pressionados com o consumo voltando a se arrefecer.
Segundo José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, as vendas no atacado voltaram a cair, ficando bem aquém do esperado para a semana em que, normalmente, ocorre a maior parte do consumo do mês. Hoje, o traseiro já foi comercializado a R$ 2,55 ante R$ 2,60 ontem. O dianteiro ficou a R$ 1,60. A expectativa é
porém, que os preço do atacado abram a próxima semana mais fracos.
Segundo Micheloni, da Fortune, isto deve aumentar ainda mais o prejuízo dos frigoríficos que não exportam já que o equivalente-físico dos preços praticados no atacado é de R$ 30 55.
Clima - Para Alcides Torres, da Scot Consultoria, a arroba está firme no mercado físico porque, além da alta do dólar deixar o pecuarista cauteloso na hora de vender, as condições climáticas foram boas - com bom volume de chuvas, temperatura e insolação - o que permitiu que o gado ficasse no pasto engordando, adiando a venda do boi terminado e enxugando o mercado.
"O resultado desta estratégia será um grande volume de gado represado que, na estação seca, será desovada de uma vez e provocará queda nos preços", disse.
Segundo ele, no Rio Grande do Sul, um quadro de seca já está fazendo com que as ofertas aumentem, derrubando o preço do quilo do boi para R$ 1,00 e o da vaca para R$ 0,92.
Para José Vicente Ferraz, da FNP Consultoria, se o dólar continuar, na próxima semana, recuando como aconteceu hoje, os pecuaristas vão começar a desovar e os preços também no físico deverão ceder. Na BM&F, hoje, os preços subiram impulsionados pela queda do dólar.


