Preço ao produtor de borracha terá reajuste pelo dólar médio
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Lúcia Monteiro 
São Paulo, 03 (AE) - A Associação Nacional das Indústrias de Pneumáticos (Anip) adotou o câmbio médio de janeiro, definido pelo Banco Central em R$ 1,487, como base para o pagamento aos produtores nacionais de borracha natural durante o mês de fevereiro, informou Gerardo Tomasini, presidente da Anip. O preço pago pela borracha natural nacional deve ser igual ao preço médio do mês anterior no mercado internacional, acrescido dos custos de internalização, que oscilam entre 20% e 25% do preço FOB, conforme prevê a lei que regulamenta o assunto.
Tomasini afirmou, no entanto, desconhecer o preço médio de janeiro da borracha importada colocada no Brasil.
João Sampaio, presidente da Comissão de Borracha da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), afirmou que a borracha importada chega atualmente ao Brasil a um custo de US$ 0,78 o quilo, que multiplicado pelo câmbio médio de janeiro atinge aproximadamente R$ 1,16 o quilo de borracha natural beneficiada.
Em janeiro os produtores de borracha natural beneficiada receberam R$ 0,86 o quilo. Como a Anip não divulgou o preço médio de janeiro da borracha importada internalizada, cada indústria deverá definir com seus fornecedores o preço a ser pago.
O presidente da Associação dos Produtores de Borracha (Apabor), Wanderley José Cassiano Santanna, gostou da decisão da Anip. O setor temia que, em função da desvalorização cambial, a indústria tomasse alguma medida para não aumentar o preço da borracha natural nacional em reais.
A Anip divulgou ontem (02) o câmbio que vai adotar para os pagamentos de fevereiro. Normalmente esse anúncio seria feito na última semana de janeiro.
O presidente da Apabor não acredita que as indústrias farão negociações separadamente com cada produtor. Ele afirma que os fabricantes de pneus deverão manter as normas que se estabeleceram nos momentos em que o preço da borracha importada caía, divulgando um preço único a ser pago igualmente a todos os fornecedores. "Se isso não ocorrer, teremos que tomar providências", afirmou.
Santanna afirmou que o assunto será mais profundamente discutido na reunião da Câmara Setorial da Borracha, no próximo dia 9 de fevereiro.
Câmbio - O presidente da Anip afirmou que os fabricantes de pneus estão muito preocupados com a desvalorização da moeda nacional, diante do aumento dos custos das matérias-primas, em reais. Ele afirmou que já houve pequenos reajustes nos preços de pneus. "Não foram propriamente aumentos, mas a retirada de descontos", afirmou Tomasini.
Ele informou ainda que, além do aumento dos custos da borracha natural, a partir de fevereiro, os petroquímicos também estão pressionando os custos. Ele declarou que ainda não sabe se a indústria vai repassar todo o aumento do custo nos preços dos pneus. "Vivemos constantemente em reunião para que não haja aumentos violentos", disse.


