Kely Priscila contou com a presença de Jefferson Gilberto em quase todas as consultas de pré-natal
Kely Priscila contou com a presença de Jefferson Gilberto em quase todas as consultas de pré-natal | Foto: Gustavo Carneiro



Toda gestante sabe da importância da realização das consultas e exames pré-natal, mas poucos homens têm conhecimento de que eles também deveriam passar por alguns exames específicos durante a gravidez da companheira. Por falta de informação e também por questões culturais, ainda é baixo o número de pais que se submetem a exames que podem prevenir problemas futuros a eles e aos seus bebês, embora o serviço esteja disponível na rede de atenção básica à saúde de todo o País desde o final do ano passado.

Em 2009, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem direcionada à população masculina adulta na faixa etária de 20 a 59 anos de idade. Dentro dessa política nacional, foram estabelecidos alguns eixos, e dentro do eixo de paternidade e cuidado, desenvolveu-se a Estratégia Pré-natal do Parceiro com o objetivo de sensibilizar gestores, profissionais da área da saúde e a população em geral para incentivarem a realização do pré-natal masculino. "Durante as consultas de pré-natal da mulher, o homem é convidado a estar com elas desde as consultas, exames e visitas de referência até a preparação para o parto", explica a chefe da Divisão de Atenção à Saúde do Homem da Sesa (Secretaria Estadual da Saúde), Carolina Poliquesi.

O pré-natal masculino foi incluído em uma portaria do Ministério da Saúde baixada em setembro de 2017 que previa alguns procedimentos do SUS (Sistema Único de Saúde), entre eles o pré-natal da gestante, com a realização de alguns exames, como os testes rápidos de sífilis e HIV. "A portaria trouxe uma mudança, com a inclusão do procedimento pré-natal do parceiro. A mulher realiza um rol maior de exames, mas há alguns que são iguais para ambos. É uma oportunidade para o homem promover a saúde dele, em especial, sífilis e HIV. Desde outubro do ano passado, os profissionais de saúde podem preencher o sistema de informações para que a gente tenha dados e monitore a prevenção da saúde do homem", diz Poliquesi. Um dos grandes problemas de saúde pública e das áreas materna e infantil, lembrou ela, é a sífilis congênita e o tratamento do parceiro e da mulher diminui os riscos para o bebê.

No Paraná, a Sesa lançou a carteirinha do pré-natal masculino por meio da Rede Mãe Paranaense, distribuída a todas as Regionais de Saúde do Estado. No documento, além dos dados pessoais do paciente, há espaço para anotações da equipe de saúde, agendamento de consultas, registro de vacinas e realização de testes rápidos. "Quando há necessidade de tratamento, com positivação dos testes, são adotados os procedimentos", destaca Poliquesi.

A carteirinha também contém informações sobre a importância do apoio ao parto normal e ao aleitamento materno e sobre o papel do homem como provedor de saúde e cuidados para a criança. Apesar de o pré-natal masculino ser uma diretriz do Ministério da Saúde, ressaltou Poliquesi, cabe a cada município aderir à estratégia de promoção da saúde do homem. A porta de entrada são as unidades básicas de saúde. "Quando a gente tem o pai presente, a gente tem uma promoção integral da criança e isso vai reverberar para toda a sociedade."

A chefe da Divisão de Atenção à Saúde do Homem diz que a adesão dos homens ao pré-natal ainda não é ampla, mas está "dentro do esperado". "Estamos felizes com o resultado e é parte da gente, como sistema de saúde, acolher esses homens. A gente ainda tem o estigma do super-homem e vivemos em uma cultura machista. Aliado a isso, tem a característica de trabalho dos homens, que muitas vezes é noturno, com horário de descanso durante o dia. Estudamos horários diferenciados nas UBS e tentamos quebrar os paradigmas e levar a uma mudança cultural."

Segundo a coordenadora da Saúde do Adulto e da Saúde do Homem da Secretaria Municipal de Saúde, Juliana Marques, Londrina prepara um movimento de divulgação para que os profissionais dos postos de saúde estejam mais atentos para orientar as mulheres para que incentivem seus parceiros a acompanharem o pré-natal. "A gente sabe que o homem só procura o serviço de saúde quando está passando mal. Ele não faz a prevenção. Isso vai ser trabalhado no Agosto Azul (dedicado à saúde masculina) para o homem criar o hábito de ir ao médico", ressalta. "Em agosto, vamos fazer um evento para profissionais de nível superior para falar mais disso e do papel do homem dentro da família. Tem uma cartilha do Ministério da Saúde direcionada aos profissionais de saúde e o intuito é divulgar o serviço."

Além da realização de exames, o trabalho a ser desenvolvido com os homens prevê, por exemplo, a inclusão nos grupos antitabagismo das UBS e informações sobre aleitamento materno.

mockup