Pré-graduação pode reduzir evasão universitária
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
Davi Baldussi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O professor aposentado da Universidade Estadual de Londrina (UEL), José Carani, afirma ter uma receita para diminuir a evasão no ensino superior. O ex-diretor do Centro de Ciências Exatas (CCE) defende que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e uma espécie de pré-graduação, com duração de um ano e que oferte o triplo de vagas do curso, sejam as formas de ingresso dos alunos na universidade.
Segundo ele, este modelo é mais justo do que o vestibular e contribuiria para reduzir a quantidade de alunos que abandonam cursos do ensino superior. ''Quem passa no vestibular? A grande maioria estudou em escola particular. No meu projeto o aluno de escola pública vai ter um ano para igualar com o de escola particular. É o triplo de vagas no primeiro ano e ao final desse período os melhores classificados continuam no curso. É meritocracia'', explica. Reportagens recentes da FOLHA mostram que a evasão em cursos superiores é alta nas instituições de ensino do Estado.
A Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, adotou um modelo semelhante ao proposto por Carani em 2006, para ingresso em Matemática, Matemática Industrial e Estatística. O Processo Seletivo Estendido (PSE) foi implantado nos três cursos que, historicamente, registram altos indíces de evasão.
O PSE funciona da seguinte maneira: é como uma terceira fase do vestibular, que consiste na obrigatoriedade de o aluno ser aprovado em duas disciplinas básicas, ministradas durante um semestre. Nesse período o número de vagas é 2,5 vezes superior ao número de vagas do curso. Em Estatística, por exemplo, entram até 165 alunos. Ao final do semestre, no entanto, apenas 66 continuam.
Um projeto de conclusão de curso do ano passado analisou o resultado da implantação do PSE no curso de Estatística da UFPR. Conforme o estudo, dos 1.292 ingressantes de 1991 a 2005, antes do PSE apenas 342 (26,5%) se formaram, 937 evadiram (72,5%) e 13 (1%) continuam vinculados ao curso. Por outro lado, dos 179 que ingressaram nas turmas de 2006 a 2008 (que tiveram tempo de se formar até 2011), 48 se formaram (26,8%), 79 (44,1%) estão evadidos e 52 continuam vinculados ao curso (29%). Geraldo Silveira Martins e Silvana Heidemann Rocha assinam o trabalho.
Para Carani, a UFPR teria um resultado melhor no combate à evasão se a pré-graduação tivesse duração de um ano em vez de seis meses. ''Os estudantes que tiveram uma base educacional pior, que vieram de escolas públicas, teriam mais tempo para melhorar. E também quem passa um ano inteiro no processo seletivo pensaria melhor antes de desistir do curso do que quem concluiu um semestre. As taxas de evasão sempre são maiores no primeiro ano e com este modelo seriam praticamente zero'', defende.
Na conclusão do trabalho, os estudantes apontam que ''preliminarmente o PSE auxiliará na redução dos percentuais de evasão e, consequentemente, no aumento dos percentuais de diplomação''.
A reitora da UEL, Nádina Moreno, afirmou que já conversou com Carani e que o projeto dele está sendo analisado pela diretoria acadêmica da Pró-Reitoria de Graduação (Progad). ''É uma proposta interessante, mas para o projeto ser implantado precisaria de uma mudança total na forma de ingresso na UEL. Por isso, tem que ser bem analisado'', comenta. Para Carani, o custo de ampliar o número de vagas no primeiro ano é menor do que o valor ''perdido'' com a evasão dos estudantes.


