Pré-candidatos negam risco de "racha" no PT do RS16/Mar, 19:20 Por Ayrton Centeno Porto Alegre, 16 (AE) - Os três pré-candidatos do PT à prefeitura de Porto Alegre rejeitaram hoje a idéia de que a prévia na qual os filiados escolherão o candidato possa provocar um "racha" no partido. Tanto o ex-prefeito Tarso Genro, quanto o atual prefeito Raul Pont e seu vice José Fortunatti, disseram que, se não vencerem, estarão no dia seguinte apoiando o vencedor. A prévia está marcada para o dia 9 de abril. Se nenhum deles conseguir 50% mais um dos votos, os dois melhores colocados se enfrentarão no segundo turno, uma semana depois. Tarso classificou como "infantil" a avaliação de risco de um "racha" no PT. "É típico de quem não conhece a vida interna do partido", comentou. "Quem não for escolhido nas prévias vai estar na campanha ao lado do indicado", assegurou. Ele negou mesmo que haja acirramento na disputa. "Se não houve "racha" em outras oportunidades não haverá nessa", reforçou. Em 1996, Tarso perdeu as prévias para ser o candidato do partido ao governo do Estado - ganhou Olívio Dutra, que derrotou depois, Antonio Britto, do PMDB - mas venceu a disputa em Porto Alegre por pouco mais de 200 votos. Olívio, que recebeu o voto de Pont, retribuirá agora o apoio. Tarso tem o apoio de parte do PT Amplo e Democrático - que divide com Fortunatti - e de mais sete correntes. Falar em divisão é, para Pont, uma interpretação "completamente irreal". "E as prévias são uma tradição do nosso partido", acentuou, argumentando que houve eleição para escolha do candidato em 1988, 1992, 1996 e 1998 e o PT sempre saiu unido. "Para nós não tem mistério. Qualquer que seja o resultado vamos marchar para a quarta vitória consecutiva em Porto Alegre", comentou. "Nossos inimigos estão do outro lado, fora do partido." "O debate está parecido com o de 1996, quando também havia três candidatos, e o nível está muito bom", acha Fortunatti. Ele assegura estar confiante de que irá para o segundo turno comum. Se não for, uma reunião de seu grupo, no dia 11 de abril, definirá quem será o apoiado. "E quem vencer será o nosso candidato", enfatizou. Ele rejeita qualquer "racha", embora não negue que possa ficar "alguma ferida". A disputa respingou na greve dos professores estaduais que entra amanhã (17) no seu 15º dia. O governo oferece 10% de reajuste, em duas parcelas, mas os professores querem uma nova proposta. Nesta sexta-feira, as duas partes se reúnem para nova rodada de negociações. Como a presidente do Centro dos Professores/RS (Cpers/Sindicato), Juçara Dutra, alinha-se com o PT Amplo, há quem suspeite que a disposição de deflagrar a paralisação possa ocultar um questionamento à corrente Democracia Socialista, que ampliou seu poder no governo estadual e a qual pertence o atual prefeito.

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