Prazo vence e PM prepara despejo de sem-terra em Anhembi
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terça-feira, 13 de julho de 1999
Por José Maria Tomazela 
Anhembi, SP, 14 (AE ) - A Polícia Militar já preparou uma operação para desocupar a Fazenda Boa Esperança, em Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo, ocupada desde o dia 21 de junho por 1.200 famílias de sem-terra. A liminar de despejo foi dada no dia 22 pela juíza de Conchas, Lígia Cristina Possas. O prazo acertado com o proprietário da fazenda, Osvaldo Calcidoni, para a saída voluntária dos invasores venceu hoje, mas até o fim da tarde a ocupação continuava.
O comandante do 12º. Batalhão da Polícia Militar em Botucatu, major João Francisco Antunes, vai amanhã (15)pela manhã ao acampamento levar um ultimato aos invasores, caso eles ainda estejam na área. Se não saírem, será feito o despejo forçado. "Teremos o apoio das tropas especializadas, como a Cavalaria e o Pelotão de Choque", disse Antunes.
O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Gilmar Mauto, disse que os acampados estão dispostos a resistir à desocupação. "Se tivermos que sair será para entrar em outra fazenda", afirmou. Segundo ele, as lideranças do acampamento tiveram uma reunião com técnicos do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) e confirmaram a existência de terras devolutas em Anhembi. "Os técnicos ficaram de ir até lá para localizar essas terras."
Segundo Mauro, os acampados querem mais prazo para permanecer onde estão, até que o Itesp aponte as áreas devolutas. "A situação poderá ser resolvida em definitivo, com o assentamento daquelas famílias." O dono da fazenda afirmou que não pretende dar mais prazo aos sem-terra. "Estou tendo muito prejuízo por não poder tocar direito a propriedade."
Fazendeiros da região acusaram os acampados de matar bois e promover um "arrastão", nos últimos dias, nas propriedades vizinhas. O líder dos acampados, João Paulo Rodrigues, negou os furtos e os abates de bois. Ele disse que os sem-terra são acusados de tudo de ruim que acontece na região.
Os abates de bovinos aconteceram nas fazendas do Turco e Graminha, no município de Piracicaba. Apenas o proprietário da Graminha, José Luis Dorin, registrou a queixa no 7º. Distrito Policial, acusando os sem-terra de terem levado também ferramentas da propriedade. O dono da Fazenda do Turco, Alfredo David, perdeu duas vacas mas não procurou a polícia, com medo de represálias. Ocorreram furtos também na propriedade de Pedro Bolinelli, com o arrombamento de uma casa, e o desaparecimento de um trator na fazenda de Eugênio Nardin Filho.
Os proprietários não identificaram os autores, mas suspeitam dos sem-terra, por estarem próximos. Integrantes do acampamento são vistos perambulando pelos pastos. Os fazendeiros reuniram-se com o prefeito de Piracicaba, Humberto de Campos (PSDB), pedindo empenho para que os sem-terra sejam afastados da região. Eles alegam que seus empregados têm sido ameaçados pelos militantes. //FIM/RGR/REDAEGER/


