Prazo para retirada de sem-terra expira, mas governo gaúcho tenta adiar desocupação de fazenda
Porto Alegre, 18 (AE) - Apesar da determinação judicial para a desocupação da Fazenda Capivara, no município de Hulha Negra, o governo do Rio Grande do Sul "não cogita" chamar a Brigada Militar para expulsar os 1,2 mil agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) da propriedade. A informação foi divulgada hoje, logo depois que o juiz da 2ª Vara Cível de Bagé (RS), José Antônio Picolli, negou o pedido dos sem-terra para prorrogar o prazo de desocupação da área, que expirou ao meio-dia.
O secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, seguiu para Bagé, no sul do Estado, para conversar com o juiz e buscar uma solução pacífica para o caso. Ele quer transferir a desocupação da fazenda, invadida na quinta-feira da semana passada, para depois do dia 23. O MST também informou que vai ingressar no Tribunal de Justiça do Estado pedindo novo prazo. A Brigada Militar mantém mais de cem soldados no local.
O governo gaúcho pretende ganhar tempo até assinar os cinco termos aditivos ao convênio firmado em julho com o Ministério de Política Fundiária para acelerar a reforma agrária no Estado. Na segunda-feira (16), o governador Olívio Dutra (PT) manteve contato com o ministro Raul Jungmann para acertar a assinatura. Hoje pela amanhã, um grupo de deputados estaduais do PT chegou a Hulha Negra para acompanhar a situação. Tensão - O juiz José Antônio Picolli concedeu liminar de reintegração de posse ao proprietário da fazenda, Uverfil Echeverria, na segunda-feira e concedeu prazo de 48 horas para a saída dos invasores. Antes, no final de semana, o clima na área esteve tenso. Sábado à noite um grupo de produtores rurais da região se aproximou da propriedade e chegou a dar tiros para o alto para intimidar os sem-terra, que na sexta-feira haviam impedido a entrada de oficiais de Justiça no local. (Sérgio Bueno)





