Curitiba- A Campanha Nacional do Desarmamento, iniciada em julho do ano passado, chega ao fim amanhã. Quem entregar alguma arma de fogo até esta quinta-feira nas delegacias da Polícia Federal (PF) ou nas sedes de outras instituições que apoiam a campanha terá direito a uma indenização cujo valor varia de R$ 100 a R$ 300.
A partir de sexta-feira, quem for flagrado com uma arma sem registro será preso por crime inafiançável. Quem possui uma arma registrada poderá entregá-la depois do dia 23 e ainda terá direito à indenização. Até o início desta semana, segundo a assessoria da PF, já haviam sido arrecadadas mais de 330 mil armas em todo o País. No Paraná, até a tarde de ontem 17,4 mil armas tinham sido entregues.
Entre janeiro e julho do ano passado, aproximadamente 20 mil armas foram arrecadadas numa campanha de desarmamento promovida pelo governo do Estado. Depois disso, a entrega de armas de fogo passou a ser feita dentro da Campanha Nacional.
Ontem à tarde, o médico Gladyston Matioski Filho foi à Superintendência Regional da PF, em Curitiba, para entregar uma espingarda. ''A arma pertencia a meu avô e estava há mais de 20 anos sem uso. Fiquei sabendo que a campanha estava terminando e vim entregar a espingarda'', comentou ele.
Matioski já sentiu de perto a violência decorrente da utilização de armas de fogo: há dois anos, um amigo dele levou um tiro no braço durante um show. ''Sou a favor da campanha. Com menos armas em circulação, diminui o risco de violência'', argumentou o médico.
Mesmo perto do fim, a Campanha Nacional do Desarmamento ainda desperta polêmica. ''A iniciativa é válida porque reduz as chances de ocorrerem acidentes domésticos. Às vezes acontece de uma criança brincar com uma arma, de uma pessoa se ferir porque não sabe usar. E uma das fontes de armamentos dos criminosos é justamente o cidadão comum, que mantém armas de fogo em casa para se defender e elas acabam sendo tomadas em furtos ou assaltos'', opinou Rubens Rezende, agente da PF e integrante da Campanha Nacional do Desarmamento no Paraná.
''Quem aderiu à campanha foram pessoas de bem. Os grandes criminosos não vieram entregar suas armas. O desarmamento não parece ser o remédio para diminuir a violência'', afirmou o delegado Luís Fernando Viana Artigas Júnior, da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam). ''Sou a favor de educar o cidadão, dar informação e deixá-lo decidir se ele quer ter uma arma em casa. Simplesmente proibir não é democrático''.

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