Pratini reage a acusação de que o governo está imóvel
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segunda-feira, 09 de agosto de 1999
Por Mariângela Heredia 
Brasília, 10 (AE) - O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, reagiu hoje às versões de que governo não estaria dando o necessário apoio ao setor agrícola. "O governo não está imóvel", afirmou. E citou os pontos que considera os mais importantes da ação governamental para o setor: aumento dos recurso do Plano de Safra; criação do Programa de Revitalização das Cooperativas (Recoop); e a autorização da internacionalização dos mercados agrícolas. Além disso, afirmou Pratini de Moraes, o governo está "agindo e adotando em tempo todas as providências necessárias".
O deputado Abelardo Lupion (PFL-PR) reagiu ao ministro afirmando que a comissão não está discutindo a questão dos produtores adimplentes - que têm acesso a essas medidas, e sim dos 32% de inadimplentes que não têm direito a crédito. Caiado afirmou que a equipe econômica está "dourando a pílula" quando anuncia que vai liberar R$ 13 bilhões para o setor agrícola, pois no ano passado, segundo o deputado, o governo prometeu R$ 11 bilhões, mas só liberou R$ 7 bilhões. Caiado afirmou ainda que a medida provisória que criou o Recoop foi assinada há dois anos, mas até agora o programa não saiu do papel.
Pratini não apresentou aos deputados da Comissão de Agricultura da Câmara nenhuma contraproposta ao projeto deles de que sejam renegociados todos os débitos rurais, estimados em mais de R$ 20 bilhões. Trinta e sete deputados estão participando da audiência com o ministro. Hoje à tarde, a comissão decidiu adiar a votação do projeto, a pedido do ministro, que queria tempo para apresentar uma contraproposta. Depois de ouvir o autor do projeto, deputado Augusto Nardes, e o relator do substitutivo, Ronaldo Caiado (PFL-GO), que enfatizaram a necessidade de incluir novamente no sistema de crédito rural 32% dos agricultores brasileiros que estão inadimplentes, Pratini de Moraes disse que o governo tem "grande dificuldade" em relação a esse projeto.
O ministro se dispôs, apenas, a levar à área econômica algumas das sugestões dos deputados. Como existe acordo entre situação e oposição em torno do projeto dos ruralistas de renegociação de todos os débitos dos agricultores, este deve ser aprovado na reunião marcada para as 9h30 de amanhã, na Comissão de Agricultura. Caiado, ao explicar o projeto, afirmou que os estudos mais pessimistas do governo apontam um comprometimento do Tesouro de cerca de R$ 7 bilhões nos cinco primeiros anos da renegociação. "Isso é menos do que os precatórios da Prefeitura de São Paulo", comparou Caiado.


