Brasília, 4 (AE) - O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, defendeu hoje uma postura mais agressiva do Brasil perante os concorrentes internacionais na venda de produtos agropecuários. Em visita à Comissão de Agricultura da Câmara, Pratini de Moraes classificou a União Européia como um "clube de subsídios agrícolas", onde 80% do orçamento, segundo ele, vai para o pagamento de subsídios.
O ministro defendeu uma mobilização intensa e disse que vai trabalhar em três frentes: na busca de financiamento ao agricultor brasileiro, adequado ao dos concorrentes; na logística, com a redução dos custos para a colocação dos produtos no mercado; e no marketing, para a colocação desses produtos.
"Não adianta ser competitivo na porteira, mas na prateleira do consumidor", disse o ministro. Ele afirmou que não vai ajudar o produtor a plantar, mas ajudá-lo a ter renda, com abertura de novos mercados para os produtos agropecuários.
Europa - Pratini disse que a União Européia é responsável em grande parte pela pobreza que afeta a agricultura brasileira, pois concede US$ 240 bilhões de subsídios, dos quais US$ 60 bilhões diretos e US$ 180 bilhões indiretos, pagos pelo consumidor, que adquire os produtos por preços superiores.
O ministro convocou os parlamentares a ajudar o governo no combate a esses subsídios, por meio de contatos diretos com o consumidor europeu. "Chegou o momento em que ingleses, alemães e holandeses começam a questionar a validade dos absurdos subsídios agrícolas que beneficiam apenas 3% da população e prejudicam o consumidor", afirmou o ministro.
Pratini lembrou que esses contatos diretos com o consumidor europeu funcionaram no caso dos calçados e do aço, quando ele era parlamentar. "Temos que mostrar ao consumidor europeu que o produto brasileiro é de melhor qualidade", defendeu o ministro.
EUA - O ministro criticou também, em seu pronunciamento na Comissão de Agricultura da Câmara, os subsídios dados pelos Estados Unidos à produção agrícola. Ele destacou que os norteamericanos são hoje os responsáveis pela queda nos preços internacionais da soja "nunca registrada antes".
Disse que neste ano o governo norteamericano está destinando US$ 4 bilhões de subsídios para a soja, e que para o ano que vem já foi anunciado o subsídio de US$ 150 mil por propriedade produtora de soja, o que vai resultar em US$ 10 bilhões de subsídios, somente para a soja.
O ministro defendeu que é preciso aprender a defender melhor o Brasil e que o governo vai trabalhar junto para ajudar o produtor a competir. "Não podemos ser objeto da globalização", afirmou.
Preços - Pratini destacou o momento difícil dos preços agrícolas no mercado internacional, que, segundo ele, são os mais baixos nos últimos 25 a 30 anos. Segundo o ministro, a renda real da agricultura caiu quase 40% nesta década.
Ele arrancou aplausos da Comissão de Agricultura, na Câmara, quando disse que o Brasil sempre foi uma economia fechada que custou a abrir, mas que quando abriu, abriu demais. "Não podemos abrir mais um milímetro. O momento é de buscar abertura de nossos parceiros, pois não é possível competir no comércio internacional com restrições tarifárias e não-tarifárias aos produtos brasileiros", afirmou.

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