Buenos Aires, 28 (AE)- O ministro da Agricultura, Marcus Pratini de Moraes, está em Buenos Aires para propor ao governo argentino um amplo acordo sanitário para produtos agrícolas. "Queremos discutir um acordo sanitário geral, em vez de estar discutindo produto por produto, doença por doença", declarou o ministro. Pratini afirmou que "não há interesse algum na continuação das brigas comerciais entre os dois países. Queremos unir esforços para combater o protecionismo agrícola dos EUA e da União Européia".
A chegada do ministro brasileiro ocorre poucos dias depois do anúncio de novas barreiras para os frangos provenientes do Brasil. Desta vez, no entanto, em vez de serem alfandegários, os obstáculos são sanitários: o serviço sanitário argentino determinou que os frangos brasileiros terão que passar por uma burocrática fiscalização por serem suspeitos de contaminação com a doença de Newcastle, uma enfermidade respiratória fatal para as aves. "Não existe esta doença no Brasil há muito tempo", retrucou Pratini de Moraes, que no fim do dia de hoje se reuniria com o secretário da Agricultura da Argentina, Antonio Berhongaray.
Pratini disse que tem boa expectativa de chegar a um acordo sobre as aves: "a venda de frangos brasileiros neste país equivalem apenas a 5% da produção da Argentina. Não acredito que essa pequena porcentagem vá prejudicar em algo". O ministro atribuiu os protestos dos produtores locais "às dificuldades que alguns setores na Argentina têm hoje com a competitividade. Sempre que há recessão em um país, é normal que surjam medidas protecionistas".
No fim de semana, Berhongaray recebeu Pratini de Moraes em uma chácara para estabelecer um primeiro contato informal. Com um típico churrasco argentino, a degustação de carne bovina deslocou sutilmente o affaire dos frangos, que foi adiado para a reunião oficial. Fontes dos dois países concordaram que no novo governo argentino, que tomou posse em dezembro, existe maior disposição de resolver os conflitos comerciais do que com o governo anterior, do ex-presidente Carlos Menem, durante o qual chegou-se a especular no fim do Mercosul.
A boa disposição não é gratuita: no governo do presidente Fernando De la Rúa existe temor que o Brasil aplique retaliações sanitárias por atitudes protecionistas argentinas. Neste país, Pratini de Moraes tem fama de duro negociador e de não vacilar em reagir rapidamente a eventuais ameaças para os produtos brasileiros. Entre os potenciais alvos de retaliações que os argentinos mais temem estão as vendas de lácteos, que no Brasil encontraram um receptivo mercado. Outro produto é o mel: a Argentina é o maior produtor mundial, e não quer perder o enorme mercado consumidor brasileiro do produto.
"Nosso objetivo é fortalecer o Mercosul", disse Pratini de Moraes, que argumentou que "os países desenvolvidos querem ver o fracasso da aliança comercial Brasil-Argentina". O ministro afirmou que "para enfrentar os países ricos, entre outras medidas, precisamos criar a marca Mercosul. Assim poderemos vender determinados produtos agrícolas com esforços conjuntos de marketing e de distribuição. Poderíamos começar com as frutas brasileiras e argentinas, e depois passar para as carnes".
Pratini de Moraes declarou que no ano passado, na área do agrobusiness, o Brasil teve um superávit nas exportações para todo o mundo de US$ 13 bilhões, e a previsão é que este ano seja de US$ 15 bilhões. Com a Argentina, no entanto, existe déficit nesse setor, e segundo o ministro, permanecerá por algum tempo: enquanto que o Brasil exporta US$ 250 milhões em produtos agrícolas para a Argentina, importa deste país US$ 1 bilhão.

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