Brasília, 2 (AE) - Incentivar as exportações de carnes e frutas e buscar a melhoria dos programas de desenvolvimento tecnológico e de defesa agropecuária. Com estas duas metas já bem traçadas, o ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, pretende atingir o desafio de transformar a agricultura brasileira num fator de desenvolvimento do País.
Em entrevista exclusiva à AGÊNCIA ESTADO, Pratini, que assumiu para sexta vez o cargo de ministro, tem pela frente um desafio nada fácil: transformar o Brasil na maior nação agrícola do mundo. Para o ministro, o que hoje é apenas um ideal, será transformado em realidade dentro de 12 a 15 anos. Para isso, o ministro defende a recuperação da renda do produtor agrícola brasileiro além de uma definição de novas formas de financiamento para o setor.
Veja a seguir, os principais trechos da entrevista:
Prioridades - "Há mecanismos para buscar uma solução para melhorar a renda agrícola. Um deles é a tecnologia. Eu dou absoluta prioridade aos programas da Embrapa (Empresa Brasileiras de pesquisa Agropecuária) e eles serão mantidos no próximo ano. Em segundo lugar está a defesa agropecuária. A sanidede dos nossos produtos, animais ou vegetais, é o visto de entrada para os mercados. Eu não posso vender carne para os Estados Unidos, por exemplo, se eu tiver aftosa. Por isto estamos com um amplo programa de combate à febre aftosa, onde eu estou dando absoluta prioridade para isto. Eu quero até o ano que vem eliminar esta doença nos Estados do Paraná, São Paulo, oeste de Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, assim como já foi feito no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Já em 2000 teremos uma cota inicial para exportar carne do Rio Grande do Sul e Santa Catarina para os Estados Unidos. Até o final de próximo ano pretendemos ter liberado a exportação de carnes destes outros estados."
Recursos - "Eu já assegurei que os recursos (cerca de R$ 116 milhões) para os programas de combate à febre aftosa serão transferidos. Esta semana, estados como Minas Gerais e Tocantins já estão recebendo parte destes recursos. Este dinheiro é fundamental para a manutenção das barreiras fitossanitárias. Nós estamos com pouco dinheiro, mas estamos canalizando todos os recursos disponíveis no Ministério para este programa. Até o final do ano serão renegociados os volumes de recursos a serem destinados para os programas de defesa agropecuária em 2000. A soma dos recursos deve superar os volumes destinados este ano. O que for tecnologia e defesa agropecuária tem prioridade sobre qualquer outra consideração. Estão previstos para o orçamento do próximo ano, para Agricultura, cerca de R$ 1,9 bilhão."
Frango e Frutas - "Nós estamos fazendo um trabalho de abertura de novos mercados para frutas e frango. Recebemos uma missão do Canadá na semana passada e esperamos, em breve, a possiblidade de iniciarmos a venda de carne de frango brasileiro para aquele país. Além disso, estamos negociando a exportação de frutas para os Estados Unidos, e também para o Canadá, através de novos acordos, assim como Japão e países da Comunidade Européia. O Ministério também tem limitações de recursos para estas áreas mas nós estamos fazendo novas alocações para mantermos estes programas em andamento."
Prioridade em exportações - "Dentro deste programa de exportações foram esatabelecidas duas prioridades. Uma delas é carnes. Ou seja, intencificar a venda de carne bovina para os Estados Unidos; aves para os mercados da Europa, Japão e Canadá; suínos, também para a Europa e países como Austrália e Nova Zelândia. Nós já somos os maiores exportadores de carne (bovina) para Europa, já desbancamos a Argentina. Queremos agora começar a incrementar estas vendas para os Estados Unidos. A segunda prioridade são as frutas. Porque elas também têm valor agregado. Outra virtudade deste segmento é que este tipo de produção acaba gerando mercado para pequenos agricultores, para a agricultura familiar."
Crescimento das exportações - "De janeiro a maio do ano passado o Brasil exportou 51 milhões de toneladas de frutas (exceto laranja e castanha). No mesmo período deste ano as exportações atingiram 75 milhões de toneladas. Este ano nós esperamos um substancial crescimento nas exportações de frutas, que deve chegar a um patamar de 50% a 60% de crescimento. A nossa meta é até o final do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso elevar estas exportações para US$ 2 bilhões. No caso de carnes as exportações cresceram 24% neste primeiro semestre de 1999, e os preços estão equivalentes ao do ano passado, enquanto o preço de commodities com café, açucar e soja caíram. A exportação de carne bovina, no primeiro semestre cresceu 54% em comparação com o volume vendido no primeiro semestre de 1998. No caso de aves o crescimento foi de 23% no mesmo período."
Café e Açúcar - "Esta semana já saíram os decretos de transferência para o ministério da Agricultura dos órgãos responsáveis pelo Café e Açucar que estavam no ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Já foi criada a Secretaria de Produção e Comercialização, que ficará a cargo de Paulo César Samico, que já assumiu o posto. Não ocorrerão mudanças no corpo técnico dos departamentos, com isto a direção do Departamento do Alcool e do Açucar e do Departamento Nacional do Café permanecerão as mesmas. Por enquanto não existe nenhuma intenção em mudar nada. Eu quero manter as políticas que já haviam sido definidas. Já estou tomando as providências necessárias para reunir o Conselho Interministerial do Açucar e do Alcool (Cima) e o Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), com quem tenho me reunido informalmente desde que assumi o minstério. A idéia é fazer uma reunião do Cima e do CDPC, provavelmente, na semana que vem."
Dívida rural - "Nós resolvemos o problema da grande maioria dos agricultores através das medidas que tomamos, especialmente dos produtores que tinham dívidas menores. Mas há ainda um número muito grande de agricultores que têm legítimos problemas e que precisam ser equacionados. Nos sabemos que este sistema não é o ideal, mas é o que era possível fazer. A proposta do Congresso Nacional (bancada ruralista) tinha um custo de R$ 20 bilhões, além do custo de R$ 8,4 bilhões, referentes as renegociações já feitas. O proposta montada pelo governo custa R$ 4,5 bilhões."
Financiamento - "O Conselho Monetário Nacional (CMN) já aprovou a participação de recursos externos na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F). Nós estamos trabalhando agora na constiuição da CPR financeira, que é outro instrumento fundamental para o financiamento agrícola. Ainda no início desta semana eu estive reunido com o Armínio Fraga (Presidente do Banco Central) e com Paolo Zaghen (presidente do Banco do Brasil) e estamos construíndo esta solução, que sai ainda este ano."

mockup