Pratini diz que insumo importado não permite estabilidade de preço agrícola
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 18 (AE) - O ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, disse que o setor não pode ser o único a contribuir para o combate à inflação. Para ele, não é possível, com os aumentos verificados nos preços dos fertilizantes e defensivos importados, segurar o preço no mercado interno. "É preciso buscar um meio-termo para que o produtor não se sinta desestimulado a plantar".
O impacto desses aumentos na inflação, entretanto, deve ser pequeno, já que a participação dos alimentos nos gastos da população vem diminuindo nos últimos anos, avaliou Pratini. Na época em que os preços das commodities agrícolas despencaram no mercado internacional, os produtores repassaram essas vantagens para os preços no Brasil, explicou o ministro. "O que está acontecendo agora não é aumento, mas recuperação de preços".
Segundo ele, a recuperação nos preços das commodities no mercado internacional será positiva para as exportações brasileiras e para o reaquecimento da economia. Pratini de Moraes lembrou que, no primeiro semestre deste ano, os preços do açúcar, café e soja estiveram nos níveis mais baixos dos últimos cinco anos, e a tendência agora é recuperação.
"Se isso não acontecesse, o produtor acabaria não plantando mais", afirmou. "A recuperação no preço do açúcar é saudável para elevar a renda da produção agrícola". Pratini de Moraes participou do Congresso Nacional da Indústria de Panificação e Confeitaria, no Riocentro.
O ministro revelou que a renda do produtor rural já caiu 15% em relação ao ano passado, por conta da baixa nos preços das commodities agrícolas. Ele explicou que, quando assumiu o ministério, em julho deste ano, o açúcar era negociado no mercado internacional por US$ 100 a tonelada. Agora, está cotado em US$ 150. Essa alta, ressaltou, é importante para o Brasil, que exporta metade de sua produção de açúcar, estimada em 9 milhões de toneladas.


