Pratini critica em Davos protecionismo dos países ricos
O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, fez ontem um forte discurso criticando o protecionismo dos países ricos no setor agrícola ao participar, no Forum Econômico Mundial, do seminário que debateu a visão da globalização nos países do hemisfério Sul. O ministro, que discursou em inglês para centenas de participantes, disse que o comércio mundial agrícola não pode funcionar sob regras especiais, com subsídios, mas sim com regras equânimes estabelecidas entre todos os países, ricos e pobres.
Pratini sublinhou que o Brasil tem cerca de 90 milhões de hectares de terras cultiváveis disponíveis e que o comércio agrícola mundial precisa ser urgentemente liberalizado. Washington, Tóquio e Bruxelas gastam US$ 1 bilhão por dia em subsídios. Isso deprime o preço das commodities agrícolas e deprime os países mais pobres.
O ministro criticou também duramente o que chamou de da crescente adoção de exigências sanitárias e fitossanitárias pelos países ricos. Segundo ele, essas barreiras, em muitos casos, são apenas apenas mais uma forma de protecionismo usada pelos países desenvolvidos contra os mercados emergentes. Ele ressaltou que no Brasil as condições sanitárias são boas e que em muitos casos são melhores do que em alguns países europeus.
Nós podemos comprar, mas não podemos vender. Isso precisa mudar, disse Pratini. Porque os países ricos utilizam o dinheiro do contribuinte para apoiar a agricultura artifical se o Brasil e outros países têm tanta terra disponível para a agricultura? O comércio mundial agrícola precisa mudar.
Pratini mencionou também o Fórum Social Mundial, que está sendo realizado em Porto Alegre. Apesar de condenar o uso da violência, ele afirmou que esses movimentos antiglobalização estão levantando questões que precisam ser levadas em consideração. (Agência Estado)





