Pratini assume meta de aumentar produção e exportação
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domingo, 18 de julho de 1999
Por Alda do Amaral Rocha 
Brasília, 19 (AE) - O novo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, assumiu hoje o cargo afirmando que terá duas importantes tarefas em seu mandato: aumentar a produção nacional de grãos para 100 milhões de toneladas e elevar as exportações agrícolas. Segundo ele, isso será feito através da organização das bases de produção agrícola e por meio de uma política que dará ênfase à tecnologia e à produtividade.
Ele disse ainda que terá a tarefa de conseguir a abertura de novos mercados para o Brasil, reduzindo as restrições aos produtos nacionais. Pratini afirmou que não terá dificuldade de trabalhar coordenadamente com outros setores do governo, como o Ministério da Fazenda e da Indústria e Comércio, por exemplo.
Pratini elogiou a atuação de seu antecessor, Francisco Turra. De acordo com Turra, a tarefa de elevar a produção implicará "estreita colaboração" entre ministério, secretarias de agricultura, órgãos de pesquisa e entidades da agricultura e produtores rurais. Disse que é necessário "cuidar da produção, com tecnologia e produtividade, da logística, que ainda afeta dramaticamente a produção rural brasileira bem como as exportações".
Pratini defendeu ainda a ênfase ao marketing internacional. "Nós não sabemos vender, nós vendemos mal", criticou. De acordo com o novo ministro, é fundamental fazer um esforço de marketing, que não se restrinja apenas a promover a produção agrícola ou buscar aumenta seu valor agregado, "mas um marketing institucional" buscando vencer as restrições tarifárias e não tarifárias contra as exportações brasileiras, principalmente de produtos agrícolas. "Não adianta aumentar aprodução se não tiver preço e para quem vender", afirmou.
O novo ministro defendeu que é fundamental a mobilização do setor primário, e a agricultura, que enfrenta hoje os preços mais baixos dos últimos 20 anos. Ele citou como exemplos a soja e o açúcar. "Nem a desvalorização do câmbio, às vezes, é suficiente para compensar a deterioração dos preços internacionais." Dessa forma, disse que é preciso trabalhar intensamente para reduzir custos internos e de logística e ampliar a agressividade do marketing.
Choques - Dirigindo-se ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse que os ministros da agricultura e da Fazenda frequentemente entram em choque. Ele espera choque com o ministro da Fazenda, mas um "choque pra frente". "Espero que vossa excelência se choque comigo para buscarmos os recursos que a agricultura precisa."
Pratini disse ainda que vai precisar da ajuda de Malan também numa tarefa considera difícil, que é lutar contra os subsídios dados por norteamericanos e europeus. Segundo o novo ministro, os EUA estão dando subsídios de mais de US$ 4 bilhões para os produtores de soja, quase tanto quanto a receita brasileira com as exportações do complexo soja.
Além disso, de acordo com Pratini, no ano passado os europeus deram US$ 60 bilhões de subsídios para a agricultura. Pratini defendeu um esforço nas negociações internacionais, em colaboração com parceiros do Mercosul, para deixar clara a "inviabilidade desse dumping institucional" dos norteamericanos e europeus.
O ministro da agricultura defendeu também o aumento da valor agregado da agricultura brasileira, a colocação de marcas brasileiras no mercado internacional e o melhoria nas condições de competitividade do setor.


