Pratini admite crise na produção de laranja e estuda alternativas
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quinta-feira, 09 de dezembro de 1999
Por Lu Aiko Otta e Renato Andrade 
Brasília, 09 (AE) - O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, reconheceu hoje que o problema dos produtores de laranja "é grave", e anunciou medidas para aumentar o consumo do suco. "Incluímos o suco concentrado na cesta básica e, a partir do ano 2000, o produto entrará com mais intensidade na composição da merenda escolar", informou. "Precisamos aumentar o mercado interno do suco de laranja."
O ministro disse que procurou as indústrias de suco de laranja, pedindo a elas para prolongar o período de esmagamento da fruta, de dezembro para fevereiro. Dessa forma, fica ampliado o período em que os produtores podem vender laranjas para as indústrias. Ele próprio admitiu, porém, que a medida é um paliativo, pois "muita fruta já foi perdida no pé." Com a prorrogação do período de esmagamento, serão processadas nesta safra 280 milhões de caixas de laranja, o que evitará a perda de 40 milhões de caixas.
Pratini fez esses comentários hoje, durante depoimento na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, onde também compareceu o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Em seu depoimento
o ministro Pratini revelou que o governo está preocupado com os atuais volumes dos estoques de milho. Ele disse que esteve em diversas regiões produtoras, pedindo maior plantio do produto. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os estoques oficiais somam 500 mil toneladas. A preocupação do governo, segundo o ministro, decorre do fato de que qualquer alteração no preço do milho reflete diretamente no preço da carne de frango e das rações - que, por sua vez, impacta no preço da carne suína.
O ministro anunciou que, a partir de janeiro, o governo voltará a oferecer a opção de venda da produção de milho. A medida, segundo explicou, evitará oscilações bruscas no preço do produto, porque o governo garantirá um preço mínimo para o produtor. Além disso, o Banco do Brasil já foi orientado a financiar compra de sementes de trigo, segundo informou Pratini.
Ele disse que a alta taxa de importação do produto preocupa o governo. Atualmente, o Brasil importa 75% do trigo que consome. "Não queremos a auto-suficiência, mas temos de produzir pelo menos 50% do que consumimos", comentou. O principal fornecedor de trigo ao Brasil é a Argentina. "Nos interessa continuar comprando trigo de lá porque é um bom negócio importar trigo para poder exportar automóveis", disse ele.
O ministro também defendeu a cobrança de preços mais elevados para carne bovina produzida sem anabolizantes, ao comentar restrições sanitárias impostas por países importadores. "Querem carne orgânica? Paguem mais!", defendeu. "Se não utilizamos anabolizantes, precisamos ter algum tipo de compensação pela produtividade mais baixa." A atuação de Pratini na reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) foi elogiada por diversos parlamentares. Ele chegou a ser aplaudido, quando denunciou que representantes de algumas organizações não-governamentais (ONG) haviam sido contratados "para falar mal do Brasil, financiados por nossos concorrentes no mercado internacional."


