Praticantes de taikô se encontram em Londrina
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domingo, 21 de janeiro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A aposentada Nobuko Izawa, 72 anos, está no Brasil há duas décadas. Apesar da proporção de tempo vivido aqui e no Japão, sua terra natal, ela conta - com um português pontuado pelo sotaque oriental - que foi em Londrina que se arriscou na prática do taikô, arte milenar japonesa caracterizada pelos grandes tambores capazes de produzir sons audíveis a longas distâncias. Assim como dona Nobuko, centenas de paranaenses, catarinenses, brasilienses, paulistas e até argentinos, descendentes ou não, se reuniram ontem para aprofundar as raízes da técnica, por aqui, ainda secular. Dos sete aos 80 anos, não falta diversidade de estilos e de faixas etárias praticantes.
A reunião de aproximadamente 350 adeptos do taikô aconteceu ontem em Londrina na chácara da Graciosa, durante o ''2º Taikofest Kawasuji''. O evento é resultado de uma parceria entre o Grupo Ishindaiko, a Comissão
Imim 100, o Instituto Atsushi e Kimiko Yoshii. A iniciativa dá a largada às festividades pelos 100 anos da imigração japonesa no Brasil, comemorados em 2008. Além dos workshops com mestres na arte, o Taikofest termina hoje com apresentações de 19 grupos de taikô - será a partir das 9 horas, no Teatro Marista. O ingresso é 1 kg de alimento; a arrecadação será destinada a entidades assistenciais.
Um dos grupos ontem chamava a atenção no meio da grande maioria de crianças, jovens e adolescentes. Formado há três anos em Londrina por um grupo de amigas, o Ishinladies é composto por 12 senhoras que encontraram nos tambores uma maneira de manter saudáveis o corpo e a mente. ''Além de exercitar o corpo, pois exige muita coordenação e alongamento, é algo que desestressa e ainda fortalece amizades'', destacou a coordenadora do grupo, Helena kitahara. É no Ishinladies, por sinal, onde atua dona Nobuko. E onde está também dona Nilza Kunioshi, 56, que começou por teimosia. ''Não aguentava meu enteado com aquelas batidas em casa. Me coloquei como desafio aprender o taikô, e hoje, as batidas entraram no meu sangue'', comenta.
Integrante de um grupo de Assaí, Mineko Kimura, 59, é brasileira. Morou no Japão por alguns anos, mas conta que a rotina árdua de trabalho fez com que aprendesse a técnica só no retorno ao Paraná. ''É bom, dá uma disposição ótima para o corpo e também aqui dentro'', diz. Sensação semelhante é a da estudante Ana Paula Punhagui, 15 anos. Ela não é descendente, mas lembra que a visita a uma festa da colônia, em Londrina, foi decisiva para tomar gosto pela coisa. ''Sinto mais resistência, e, principalmente, mais concentração nas aulas'', explica a adolescente do grupo Sansei Matsuri Daiko.
Já a dupla Liliana Kina, 41, e Natalia Kanashiro, 24, tinham ontem uma espécie de missão diferente: argentinas da capital Buenos Aires, era a primeira vez que elas - do grupo Medeiko, que produz as próprias músicas e instrumentos - vinham ao Brasil. O propósito? ''No nosso país são poucos os grupos praticantes de taikô, e ainda assim, muito separados entre si. A idéia de estarmos aqui é justamente fortalecer a prática na Argentina'', explica Liliana, professora de Educação Física. A professora de japonês Natália arremata: ''É o ideal, a percussão, o aprendizado: de tudo um pouco vale a pena para fortalecer e difundir a arte dos antepassados'', acredita.


