Prática lembra o regime militar
O presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), dom Tomás Balduíno, afirmou ontem, em Vitória, que o governo não pode transformar a reforma agrária num processo de deportação dos sem-terra e comparou a política de colonização promovida pelo presidente Fernando Henrique com a do regime militar. Isso lembra aquela prática do governo Médici, que usava o eslogam gente sem terra para terra sem gente, criticou.
Para dom Tomás, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não pode depender da oferta de terras oriunda de proprietários dispostos a se livrarem de áreas pouco valorizadas. A reforma agrária tem de ser feita nas áreas próximas aos grandes centros urbanos, onde há infra-estrutura e público para os produtos, defendeu.
O bispo participou, na noite de anteontem, da abertura do 9º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ele defendeu que o governo promova uma reforma fundiária, ou seja, uma mudança profunda na estrutura da distribuição de terra e na política agrícola. Reforma agrária não é levar gaúcho para a Amazônia ou nordestino para o Acre, afirmou.
Dom Tomás comparou os sem-terra ao movimento zapatista do México. Ambos, de forma diferente, tem um projeto de enorme envergadura para a ocupação da terra. Bem-afinado com o MST, o discurso de dom Tomás sobre reforma agrária casou à perfeição com o de um dos coordenadores nacionais da entidade, João Pedro Stédile.
Ele afirmou que os projetos de colonização do Incra têm um índice de desistência em torno de 40% por parte dos assentados. Levar sulista para a Amazônia provoca um problema cultural: a pessoa não conhece o clima, a terra e começa a desmatar para plantar arroz, feijão e soja, apontou. Se há sem-terra em todos os estados, por que levar um de cá pra lá?.
Pedágio - O MST anunciou que realizou terça-feira e ontem pedágios na rodovia BR-158, entre Naviraí e Itaquiraí, no Mato Grosso do Sul, e pode retomar os saques a caminhões com produtos alimentícios. Luis Carlos Prudente, da coordenação estadual do MST, disse que as cerca de 1.400 famílias que invadiram a fazenda Tamacavi, em Itaquiraí, no último dia 30, estão famintas.





