Prática democrática não gera automaticamente o progresso
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terça-feira, 23 de julho de 2002
Agência EFE 
Manila - Os laços entre práticas democráticas e instituições e entre progresso econômico e social não são automáticos, o que é demonstrado pelo aumento das desigualdades após a transição de países à democracia, como os da ex-União Soviética, e pela persistência em outros países democráticos, como o Brasil.
Assim afirma o Relatório de Desenvolvimento Humano, elaborado pelo programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e dedicado neste ano a ''Aprofundar a democracia em um mundo fragmentado''.
Durante a década de noventa, a desigualdade das rendas e a pobreza cresceram notavelmente na Europa central, no leste europeu e nos países da Confederação dos Estados Independentes, alcançando em algumas ocasiões níveis sem precedentes.
Apesar do crescimento global da democracia, o número de pobres na África subsaariana continua aumentando. O problema está em que quando os Governos democráticos não respondem às necessidades dos povos, as pessoas chegam a se inclinar aos regimes autoritários e populistas que afirmam que limitando algumas liberdades civis e políticas, acelera-se o crescimento econômico e o progresso social.
Por exemplo, o relatório diz que na América Latina as enormes desigualdades de renda e de propriedade caminham juntas em direção a uma, cada vez menor, confiança da população nas instituições públicas e uma vontade cada vez maior de aceitar as regras autoritárias e as violações dos direitos humanos.
No entanto, os especialistas que elaboraram o estudo afirmam que diversos estudos estatísticos demonstram que nem o autoritarismo nem a democracia são fatores que determinam o nível de crescimento econômico e sua distribuição.
A Costa Rica, uma das democracias mais estáveis da América Latina, alcançou um crescimento da renda per capita de 1,1 por cento entre 1975 e 2000, maior que a média de 0,7 por cento na região.
Contudo, no Brasil a democracia coexiste com as desigualdades sociais e econômicas que estão entre as maiores do mundo, enquanto que o Paraguai conseguiu um dos maiores crescimentos apesar de ter fracassado na expansão das oportunidades econômicas e sociais.


