Beatriz Coelho Silva
Agência Estado
As praias e os costões da Baía de Guanabara atingidas pelo vazamento de óleo de um duto da Petrobras poderão estar limpos em um mês. No caso dos mangues, ainda demora mais tempo, não se sabe quanto, para ficarem livres do óleo. As previsões são do relatório da especialista americana Jackeline Michel, contratada pelo governo do RJ e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para avaliar as consequências (ecológicas e econômicas) do acidente e as melhores formas de reverter a situação.
As conclusões de Jackeline são semelhantes às de Karem Pornell, inglesa contratada pela Petrobras, que esteve no Rio na semana passada. As duas se encontraram na quinta-feira, quando Jackeline chegou à cidade. A americana, que trabalhou no caso da Guerra do Golfo e no acidente na Baía de Porto Rico, na década passada, acha que o trabalho de emergência já está no fim e agora é melhor voltar aos locais atingidos quando se acumular de novo uma quantidade maior de óleo.
‘‘Deste modo, evita-se que as praias percam a areia e os outros pontos atingidos sofram com ações mais radicais’’, disse o secretário Estadual do Meio Ambiente, André Correia, na coletiva que ele e Jackeline concederam no gabinete da vice-governadora Benedita da Silva (PT). A especialista recomenda que não haja qualquer ação para não espalhar mais o óleo nos mangues e, em relação às praias, a recomendação é de que a Petrobras pague a reposição de areia perdida na limpeza.
Jackeline calculou o vazamento como médio. ‘‘A área atingida foi pequena e o óleo não se espalhou pela baía nem se misturou com a água porque o mar esteve calmo’’, justificou. ‘‘Ainda há lugares em que ele está concentrado, mas não são muitos e a tendência é a evaporação de pelo menos 25% dele’’. A americana disse que ainda falta calcular as perdas com a paralisação das atividades econômicas, especialmente a pesca e o turismo. ‘‘Nos Estados Unidos, costumamos nos basear nas reclamações dos particulares e na comparação com os rendimentos deles em períodos anteriores’’.