Praias do Rio recebem 144 mil toneladas de esgoto por segundo
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sábado, 01 de maio de 1999
Por J. Paulo da Silva 
Rio, 02 (AE) - As praias da zona Sul do Rio amanheceram hoje com um nível assustador de poluição, o que não se via desde o início, na semana passada, das obras de reparo do emissário submarino, cuja conclusão está prevista para amanhã. Elas foram castigadas com o despejo de quatro metros cúbicos por segundo, ou 144 mil toneladas, de esgoto, realizado das 19h de sábado às 5h de hoje.
Os dejetos foram lançados a 900 metros da orla, no maior despejo in natura já registrado nas praias cariocas. O presidente da Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae), Marcos Montenegro, responsável pela obra, não soube precisar, entretanto, quando as praias serão liberadas para o banho.
"É uma vergonha para o Brasil", protestou a pedagoga Naylde Phascoal, 49 anos, moradora do Leblon. "O Rio não merece isso que o governantes fazem." Naylde observou que deveria haver menos roubo no País - referindo-se à divulgação das investigações das CPIs dos Bancos e do Judiciário - e mais investimentos no setor de meio ambiente. "O Rio é visitado por milhares de turistas que, certamente, guardarão uma imagem degradante da cidade com esta sujeira." A pedagoga foi uma das centenas de pessoas que caminharam pelo calçadão no domingo de sol e com temperatura amena, já que o banho de mar foi proibido em decorrência do alto nível de poluição das praias.
O presidente da Cedae disse ainda que não havia outra alternativa para o despejo da grande quantidade de esgoto, alegando que, se isso fosse feito na Enseada de Botafogo, os danos seriam maiores. Explicou que o atraso no cronograma das obras decorreu das condições desfavoráveis do tempo, somado ao defeito no guincho destinado a içar um dos tubos do emissário que está sendo reparado. Montenegro acha que, mesmo depois das obras, o emissário terá vida útil de 40 anos no máximo e adverte sobre a necessidade de reforçar pelo menos 70 pilares do emissário.
As obras de reparo do emissário submarino mudaram o comportamento do carioca acostumado ao banho do mar. Muitos evitaram, inclusive, caminhar na areia temendo contaminação. Duplas famosas de volei - como Tande e Giovane que deveriam treinar hoje, vão fazê-lo em quadras.
Técnicos da Fundaçao Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (Feema) coletaram amostras da água para exames laboratoriais que determinem o índice de coliformes fecais. Os testes deverão ser divulgados amanhã, ocasião em que também se poderá ter uma previsão de quando as praias serão liberadas para o banho.


