Vitória - No auge da temporada de verão, as principais praias de Linhares, no Espírito Santo, foram interditadas devido ao aumento da turbidez da água. O problema, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, está associado à onda de rejeitos de minério que atingiu a região após o rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG), em novembro.
Nas avaliações realizadas na quarta-feira, o índice de turbidez, ou seja, de partículas em suspensão na água, aumentou quase 1.000% em relação ao registrado até o último domingo. A turbidez, medida em NTU's (Unidades Nefelométricas de Turbidez), subiu de 13 para 130 no período. Foram interditadas as praias de Pontal do Ipiranga, Degredo e Barra Seca.
Com a medida, todos os cem quilômetros de costa de Linhares estão interditados - as praias de Regência, Comboios e Povoação foram interditadas em 22 de novembro, quando a onda de lama alcançou a foz do rio Doce.
O secretário de Meio Ambiente de Linhares, Rodrigo Paneto, afirma que aplicou o princípio da precaução. "Não há estudos que assegurem que não há risco para os banhistas no contato com esse material e, na dúvida, é melhor prevenir", afirma o secretario. "Eu não deixaria meus filhos mergulharem nessa água. Se não acho seguro para minha família, por que arriscaria a família dos outros?", diz.
Segundo o secretário, o mar está sendo monitorado desde a chegada da onda de lama ao município. Ele afirmou que a Samarco "peca" no fornecimento de laudos e informações detalhadas, mas dá apoio ao monitoramento. De acordo com o Instituto Estadual de Meio Ambiente (Iema), que faz o trabalho de monitoramento, atualmente a mancha de lama ocupa uma área de 66,6 km², estendendo-se por cerca de 55 km ao norte da foz do rio Doce. No momento mais crítico, no fim de dezembro, a mancha ocupou uma área de 168 km². Donos de pousadas, hotéis e comerciantes da região veem a decisão da prefeitura com desconfiança. A Samarco foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até o início da tarde de ontem.

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