Natal - Mesmo com o anúncio da chegada de mil homens do Exército ao Rio Grande do Norte nesta quarta-feira (3), o turismo e a vida dos moradores seguiam distante da normalidade em Natal após a onda de ataques no Estado. Além de praias e lojas de artesanato vazias, os ataques provocaram a redução de até 30% da frota de ônibus - que tem sido recolhida às 20h30.
Sem ônibus à noite, o Centro Universitário Facex cancelou as aulas no período, e a Faculdade Maurício de Nassau adiou o início do semestre letivo. Colégios municipais reabriram nesta quarta. Os atentados em série, com ônibus queimados e bases policiais alvo de explosivos, fizeram cair o movimento em um dos principais pontos turísticos da capital potiguar, a praia de Ponta Negra.
Nesta quarta, quando a reportagem percorreu a orla, poucos eram os turistas no local. "O pessoal está com medo de sair dos hotéis", disse Carlos Salgueiro, de 34 anos, que há dois anos vende passeios na orla e que recebeu cancelamentos após os ataques.
Um dos poucos turistas na praia era o empresário Geraldo Mateus da Silva, de 58, de Minas Gerais. Apesar do clima, ele dizia se sentir mais tranquilo com o Exército nas ruas. "Vamos fazer o máximo de passeios possíveis. Essa onda é pontual e, para mim, não afeta a imagem da cidade."
Segundo a vendedora de artesanato Regivânia Oliveira, de 36, o faturamento caiu, e as portas do centro comercial estão fechando mais cedo - 20h30, em vez de 22 horas.
O balanço do Estado após a onda de ataques registrava nesta quarta 96 ocorrências, sendo 55 incêndios, 27 tentativas de incêndio, sete disparos contra prédios públicos e proximidades, quatro envolvendo artefatos explosivos e três depredações. Houve 29 ônibus e micro-ônibus incendiados. Os casos foram registrados em 33 cidades.

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