GUARUJÁ - Fracassou a tentativa da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de orientar os veranistas a não tomar banho de mar em um trecho de 1.200 metros contaminado por esgotos na praia da Enseada, no Guarujá (SP). A secretaria iniciou quarta-feira a sinalização da praia, mas no dia seguinte e ontem várias pessoas tomavam banho de mar no trecho comprometido pelo esgoto.
A sinalização se resumiu à instalação de uma placa e duas faixas. A placa, na altura da Rua Chile, com a inscrição ‘‘praia imprópria para banho de mar’’, foi arrancada. Ontem de manhã estava dentro de um córrego, e foi recolhida por um funcionário da Cetesb. As faixas estavam posicionadas nas extremidades do trecho de 1.200 metros - entre as ruas Peru e Guadalajara - e indicavam o início e o final da área imprópria.
A dona de casa paranaense Lúcia Cordeiro, de Curitiba, era uma das poucas pessoas conscientes: ela foi ontem pela primeira vez à praia da Enseada e disse ter entrado no mar no trecho impróprio porque não sabia da existência de esgoto. Ela afirmou ter visto fezes boiando na água e ter sentido um forte mau cheiro. O guarda-vidas Bonifácio Guerra de Carvalho, do Corpo de Bombeiros, disse que a areia da Enseada, normalmente muito clara, está ficando escurecida próximo à água.
‘‘A praia está com um odor de fossa. A gente vê na beira da água fezes, absorventes e até camisinhas, coisas que vêm do esgoto mesmo. Não sei como essas pessoas suportam’’, declarou. O técnico em segurança Roberto Andres, de São Paulo, disse frequentar a praia da Enseada há três anos durante o verão.
Ele chegou ao Guarujá na semana passada e foi informado sobre a poluição por repórteres, ao sair do mar, às 12h30 de ontem. Andres disse ter estranhado a água muito suja. ‘‘Havia fezes, parecia um depósito de lixo. Não entro mais nessa água. Não quero tomar banho no esgoto’’, declarou.
O empresário Pascuale Ciardo, proprietário de um apartamento de veraneio na Rua Colômbia, na Enseada, disse que, ao saber da poluição, proibiu seus três filhos de tomar banho de mar. ‘‘A gente espera o ano inteiro para frequentar o Guarujá e acontece isso. Aqui, não entramos de jeito nenhum’’, afirmou Ciardo, que pretende passar a frequentar a praia de Iporanga.
Josefa Lins Vieira, dona de um quiosque de venda de bebidas na Enseada também reclama. Ela disse ter aplicado em setembro R$ 8.000 na montagem do quiosque, esperando recuperar o investimento durante a temporada de verão. ‘‘O movimento já era para ter melhorado. Só que, depois disso (o esgoto na praia), estou desanimada’’, declarou.

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