Praia de esgoto não espanta turista
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sexta-feira, 27 de dezembro de 1996
Agência Folha 
GUARUJÁ - Fracassou a tentativa da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de orientar os veranistas a não tomar banho de mar em um trecho de 1.200 metros contaminado por esgotos na praia da Enseada, no Guarujá (SP). A secretaria iniciou quarta-feira a sinalização da praia, mas no dia seguinte e ontem várias pessoas tomavam banho de mar no trecho comprometido pelo esgoto.
A sinalização se resumiu à instalação de uma placa e duas faixas. A placa, na altura da Rua Chile, com a inscrição praia imprópria para banho de mar, foi arrancada. Ontem de manhã estava dentro de um córrego, e foi recolhida por um funcionário da Cetesb. As faixas estavam posicionadas nas extremidades do trecho de 1.200 metros - entre as ruas Peru e Guadalajara - e indicavam o início e o final da área imprópria.
A dona de casa paranaense Lúcia Cordeiro, de Curitiba, era uma das poucas pessoas conscientes: ela foi ontem pela primeira vez à praia da Enseada e disse ter entrado no mar no trecho impróprio porque não sabia da existência de esgoto. Ela afirmou ter visto fezes boiando na água e ter sentido um forte mau cheiro. O guarda-vidas Bonifácio Guerra de Carvalho, do Corpo de Bombeiros, disse que a areia da Enseada, normalmente muito clara, está ficando escurecida próximo à água.
A praia está com um odor de fossa. A gente vê na beira da água fezes, absorventes e até camisinhas, coisas que vêm do esgoto mesmo. Não sei como essas pessoas suportam, declarou. O técnico em segurança Roberto Andres, de São Paulo, disse frequentar a praia da Enseada há três anos durante o verão.
Ele chegou ao Guarujá na semana passada e foi informado sobre a poluição por repórteres, ao sair do mar, às 12h30 de ontem. Andres disse ter estranhado a água muito suja. Havia fezes, parecia um depósito de lixo. Não entro mais nessa água. Não quero tomar banho no esgoto, declarou.
O empresário Pascuale Ciardo, proprietário de um apartamento de veraneio na Rua Colômbia, na Enseada, disse que, ao saber da poluição, proibiu seus três filhos de tomar banho de mar. A gente espera o ano inteiro para frequentar o Guarujá e acontece isso. Aqui, não entramos de jeito nenhum, afirmou Ciardo, que pretende passar a frequentar a praia de Iporanga.
Josefa Lins Vieira, dona de um quiosque de venda de bebidas na Enseada também reclama. Ela disse ter aplicado em setembro R$ 8.000 na montagem do quiosque, esperando recuperar o investimento durante a temporada de verão. O movimento já era para ter melhorado. Só que, depois disso (o esgoto na praia), estou desanimada, declarou.


