Os estudos e a experiência dos profissionais da medicina mostram que existem traços de personalidade comuns àqueles que tendem a somatizar, ou transpor os problemas da mente para o organismo. São, em geral, pessoas muito pragmáticas, com reduzida capacidade de fantasiar, imaginar, sonhar. Têm o que se chama de pensamento operatório. ''Para eles pau é pau e pedra é pedra'', explica José Atílio Bombana, psiquiatra e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Vêem as coisas de forma tão concreta que lhes parece mais simples viver os conflitos no corpo do que problematizá-los no psíquico. Nem as crianças escapam da somatização, e como têm as defesas psíquicas menos estruturadas, não é difícil que apresentem febre, falta de ar ou diarréia quando passam por algum tipo de sofrimento.
Frequentemente confundidos com pacientes chatos, os somatizadores costumam intensificar muito suas rotinas médicas: vão constantemente a hospitais, pedem requisições para vários exames e procuram por novas medicações todo o tempo. Nos casos mais graves, tornam-se quase hipocondríacos. ''Eles passam a viver em função da doença'', explica.
Não existe um remédio específico para tratar de pacientes somatizadores. Por isso, curá-los exige habilidades especiais dos médicos. Como o problema não está apenas no plano físico, remédios comuns, para doenças pontuais, não são suficientes. Na opinião de Bombana, aliar a medicação ao acompanhamento psicológico é fundamental. ''Se ficamos só nos remédios, os pacientes tendem a não deixar o tratamento nunca'', explica.
Embora se reconheça a importância da psicoterapia nesse tipo de tratamento, boa parte dos pacientes resiste em falar sobre o que sentem. Têm dificuldades até para analisar os problemas que os fazem doentes e preferem acreditar que a situação se resume ao corpo. ''Querem tratamentos práticos''. (Agência Estado)

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