A Prefeitura de Campo Mourão está estudando uma revitalização que deverá mudar radicalmente o visual das praças Getúlio Vargas e São José, no centro da cidade. As mudanças estão em fase de estudos e ainda não foram divulgadas oficialmente, mas a Folha teve acesso ao anteprojeto elaborado pelo arquiteto Celso Tanaka. A idéia inicial mexe com vários pontos polêmicos, incluindo a reabertura da Rua Brasil, a retirada do coreto, de um monumento, do posto da Telepar e de 132 árvores.
As praças São José e Getúlio Vargas foram construídas nos anos 50 e passaram por uma primeira revitalização no final dos anos 70, quando um calçadão na Rua Brasil uniu as duas praças. É na Praça São José que fica o principal símbolo de Campo Mourão, a Catedral São José. Já na Getúlio Vargas estão o chafariz e o coreto, que foram construídos há cerca de 40 anos e já foram transformados em patrimônio histórico através de lei municipal.
A revitalização das duas praças também vai mexer com o espaço onde hoje está a estação rodoviária. Como uma nova rodoviária já está em construção e deve ficar pronta até o início do ano que vem, as mudanças nas praças tambêm prevêem uma revitalização no atual terminal intermunicipal. No anteprojeto em estudos na prefeitura, o arquiteto Celso Tanaka, argumenta que a arborização das praças precisa ser substituída porque está descaracterizada, uma vez ques várias espécies foram plantadas sem nenhum planejamento urbanístico.
O ‘‘caos’’ na arborização acontece principalmente na Praça Getúlio Vargas, de onde deverão ser retiradas as 132 árvores. Restarão apenas cinco ipês-amarelos. Outras 157 árvores existentes na Praça São José continuarão intactatas. A retiradas das árvores ainda depende de autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e do Ministério Público. No lugar delas, a prefeitura pretende plantar outras 170 árvores de espécies mais baixas como o barbatimão, por exemplo.
O anteprojeto parte do princípio de que as praças devem ter um visual limpo e que o atual ‘‘maciço’’ verde impede a visibilidade até mesmo da Catedral. ‘‘As duas praças se transformaram em recantos escuros e sempre sujos, que atraem desocupados’’, justifica Tanaka. Um dos pontos mais polêmicos, entretanto, é a reabertura da Rua Brasil. O anteprojeto prevê um acesso em mão única. ‘‘A idéia é usar até um tipo diferente de pavimentação para caraterizar bem que aquela não será uma rua como as outras’’, explica a engenheira civil Eumara Saavedra, da Secretaria Municipal de Planejamento.
Além da pavimentação diferente, o acesso que ligaria as avenidas Capitão Índio Bandeira e Irmãos Pereira, teria uma curva no meio. Para compensar a abertura da rua, serão eliminados os acessos laterais à catedral. O trecho da Rua Francisco Albuquerque, hoje usado somente por ônibus, na rodoviária, também será uma via de mão única.
Portais O anteprojeto também prevê a construção de dois portais e de uma espécie de calçadão entre a Praça Getúlio Vargas e a atual rodoviária. O sanitário, desativado por contenção de despesas, deverá ser retirado do local, assim como os quiosques que hojem funcionam nas duas praças. Será construído um monumento à São José em frente à catedral e o atual monumento à Bíblia, de frente para a avenida Capitão Índio Bandeira, deverá ser levado para um outro local da praça. O coreto, muito usado pela Banda Municipal nos anos 60, deverá ser retirado.
‘‘Uma proposta inicial prevê a transferência do coreto para uma praça no jardim Santa Cruz, que também é um bairro histórico’’, frisa Eumara. Para mexer com o coreto, no entanto, a prefeitura terá que ter autorização da Câmara de Vereadores, uma vez que ele foi transformado em patrimônio histórico do município. O chafariz, que também já foi tombado, deverá continuar, mas sem a atual grade de proteção, que descaracterizou a obra original. Os velhos bancos da praça Getúlio Vargas, patrocinados por antigas empresas, também serão retirados. Eumara ressalta que as obras de revitalização podem ser iniciadas ainda este ano, mas elas dependem da mudança da rodoviária. Para discutir a revitalização, a prefeitura formou uma comissão com representantes de vários segmentos da comunidade, desde a Associação de Engenheiros e Arquitetos até a Mitra Diocesana.

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