Praça, carimbo e escola lembram ação de Betinho
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quinta-feira, 09 de agosto de 2001
Clarissa Thomé<BR>Agência Estado<BR>Do Rio do Janeiro 
Quatro anos depois da morte do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, completados ontem, a campanha Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, criada por ele, não desanimou. O número de comitês dobrou de 250 para 500, no Rio, e a arrecadação de cestas básicas cresceu de 60 mil para 150 mil, no último Natal Sem Fome.
Ontem, o movimento fundou a Escola da Cidadania, que formará 300 jovens por ano em cursos supletivos e de informática. Mesmo sem a figura física do meu pai, a Ação da Cidadania segue forte, porque ela foi assumida por aqueles que realmente precisam. São pessoas pobres, que vestiram a camisa da campanha, e ampliaram o trabalho, disse ontem Daniel de Souza, filho de Betinho, e um dos coordenadores do movimento.
De fato, as 150 pessoas que ocupavam o Armazém da Cultura, sede da associação, para assistir à inauguração da escola pertenciam a áreas pobres do Estado.
A dona de casa Terezinha Mendes da Silva, de 71 anos, é exemplo desse grupo. Ela fundou o comitê Ponto Chic, bairro pobre do município de Nova Iguaçu, há oito anos. Todo Natal faz esforço para juntar pelo menos 280 cestas. A importância dessa escola você vai ver daqui a 10 anos, é uma ação que a gente vê no futuro. Pena que não foi no meu tempo, diz Terezinha, emocionada por ter descerrado a placa que inaugura a Escola da Cidadania Herbert de Souza.
A escola foi montada com recursos da venda de cartuchos de impressoras usados para reciclagem. Somente o Metrô Rio recebeu 28 mil unidades, vendidas a preços que variam de R$ 0,50 a R$ 13,00 cada uma. Além das aulas regulares, os jovens estudarão meio ambiente, arte e cultura, saúde, informática. Sempre com ênfase à questão da cidadania, disse Daniel. A sala de informática, com 10 computadores, teve a parceria do Comitê para a Democratização da Informática.
Os quatro anos da morte de Betinho também foi marcado pela inauguração de uma praça, próxima ao Shopping Rio Sul, que passou a ser chamada Praça da Cidadania Betinho, e pelo lançamento do carimbo comemorativo dos Correios pelo Dia Nacional de Mobilização pela Vida. No Brasil a gente não tem costume de lembrar com alegria da morte de pessoas queridas. Mas a morte também pode ser encarada como renascimento espiritual. Comemoramos, sim, a morte de Betinho, mas como forma de homenageá-lo, disse Maurício Andrade, coordenador-geral da Ação da Cidadania.


