Marcos Zanatta
De Maringá
Frequentadores da Paróquia São Miguel Arcanjo, na Zona 8, em Maringá, estão ‘‘inconformados’’ com o abandono da Praça das Américas, onde fica a igreja do bairro. O que mais revolta os moradores é que enquanto a praça está em total abandono, a prefeitura realiza obras em outras áreas públicas. ‘‘Sempre próximo ao centro ou em locais de grande movimento de pessoas’’, diz o comerciante Elias Macedo, que mora próximo à igreja.
Macedo não se conforma com o abandono da área, que não tem em calçada em volta. ‘‘Por outro lado, a prefeitura constrói uma quadra de esportes na praça Manoel Ribas, onde moram muitos eleitores ricos’’, diz.
A advogada Terezinha Modanese Bondore, que é catequista da igreja, lamenta não poder usar a praça com as crianças que frequentam a paróquia. ‘‘A comunidade é obrigada a cortar a grama para o mato não tomar conta da praça’’, afirma. Ela diz que pelo menos 300 crianças fazem catequese por dia, mas são obrigadas a ficar nas salas do Centro Catequético.
Terezinha frisa ainda que, enquanto no centro da cidade a prefeitura chega a trocar as flores das praças para manter sempre floridas, nos bairros as áreas públicas não são bem mantidas.
Desde que a nova igreja, construída com apoio da comunidade, foi inaugurada, em novembro de 1995, o padre Leomar Antonio Montagna vem solicitando à prefeitura a reforma da praça. O padre Léo, como é conhecido na comunidade, diz que nem calçada a praça tem mais. ‘‘Nós terminamos a obra e deixamos a igreja bonita por dentro, mas o lado de fora está muito feio’’.
‘‘Os noivos, quando termina o casamento, vão para outras praças para fazer fotos externas’’, revela o padre. ‘‘Isso é ruim para a gente’’. Ele diz que não sabe se o problema é porque a prefeitura não tem dinheiro ou não gosta muito dele. Padre Léo faz um trabalho de conscientização dos fiéis. ‘‘O que nem sempre agrada os nossos governantes’’, observa.
A prioridade para o padre e os moradores é melhorar a iluminação da praça. ‘‘Nossa sorte é que o bairro é calmo e não acontecem assaltos ou agressões aqui. Também porque ninguém frequenta a praça’’, diz o padre. Os moradores querem também a reconstrução das calçadas e a reurbanização da praça.
‘‘A entrada antiga da igreja alaga quando chove e depois fica cheia de barro’’, queixa-se padre Léo. Ele quer também o plantio de novas árvores e arbustos na praça. ‘‘Gostaria de estar com a praça reformada até o final de setembro, quando fazemos a festa do padroeiro’’, diz o padre.
O secretário de Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Hamilton Cardoso, disse que o padre ‘‘nunca’’ pediu a reforma da praça ou outras melhorias no local. Ele garante ainda não existir nenhum problema pessoal com o padre Léo. ‘‘Recebemos pedidos da associação de moradores e estamos atendendo’’, afirma.
A primeira melhoria, solicitada pela entidade, foi o rebaixamento da iluminação em algumas avenidas, que já está sendo feito disse Cardoso. ‘‘Vamos depois reformar a praça, que já tem um projeto em andamento’’, informa o secretário, adiantando que não existe data para iniciar a obra.Moradores reclamam que a Praça das Américas, onde fica a igreja São Miguel Arcanjo, precisa de projeto de reurbanização
Henri JúniorOBRASPadre Léo: ‘‘Prioridade é a iluminação, mas é preciso também reconstruir as calçadas’’Henri JúniorQUEIXATerezinha Bondore (esq.): ‘‘Não há como desenvolver atividades com crianças da paróquia’’

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