Curitiba- O Paraná será o segundo Estado do País, depois de São Paulo, a colocar em prática uma tecnologia que conta com análise de DNA para encontrar crianças desaparecidas. O projeto Caminho de Volta, idealizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) começa a ser desenvolvido no Paraná através de uma parceria entre a Secretaria de Segurança Pública e a universidade. Será montado um banco de DNA com as famílias que tiveram crianças desaparecidas para que possa auxiliar na busca e identificação.
A professora doutora do Departamento de Medicina Legal da USP, Gilka Gattas, disse que o projeto foi criado em setembro de 2004 em São Paulo e é formado por um banco de DNA e um banco de dados da família que é obtido através da realização de um questionário. As perguntas incluem o perfil da criança e dados sobre a família. O projeto permite fazer a identificação das crianças desaparecidas mesmo depois da morte dos pais. Isso porque a amostra de sangue que é coletada dos pais pode durar até 20 anos.
Na prática, é coletada uma gota de sangue dos pais e colocada em um papel especial. Um milímetro deste material é processado e vai para o banco de dados digital com todas as informações do DNA dos pais. Caso seja necessário, o sangue que está armazenado no papel pode ser analisado novamente. São necessárias apenas 24 horas para gerar um perfil de DNA. Os dados que forem coletados no Paraná serão encaminhados para análise em São Paulo.
Gilka Gattas informa que das 530 famílias que estão cadastradas no banco de DNA de São Paulo foram identificados três casos. Nestas três situações, as crianças estavam mortas. Ela explicou que, a cada vez que entra uma criança nova, o perfil é comparado com todo o banco de dados. No Estado de São Paulo desaparecem 8 mil crianças por ano e, no Brasil, 30 mil a 40 mil. Segundo a professora, será feito um livro sobre o projeto. A segunda edição vai incluir os dados do Paraná. Segundo ela, 70% dos desaparecimentos são fugas de casa.
O secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, afirmou
que muitos desaparecimentos estão relacionados com desagregação familiar e violência doméstica. Ele destacou que, a cada novo caso de desaparecimento, será feita coleta de amostra de sangue dos pais.
Ontem, pais de crianças desaparecidas fizeram a coleta de amostras de sangue na Escola Superior de Polícia Civil, em Curitiba. Luiz e Marlene Florêncio participaram da coleta. A neta deles, Vivian, desapareceu em 2005, na época com três anos. A criança saiu junto com a mãe, Maria Emília, 38 anos, que foi encontrada morta em Campina Grande do Sul. Maria era separada e teve um relacionamento com o policial militar Edson Prado, que é pai da menina. Depois de três anos, Prado ligou para marcar um encontro com Maria, que pegou a filha Vivian na escola e foi ao encontro do policial. Quatro dias depois, o corpo de Maria foi encontrado coberto de cal. ''Ainda tenho esperança de encontrar a Vivian'', disse a avó Marlene.

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