Catanduvas- O Paraná deve receber dos próximos 15 a 20 dias criminosos de alta periculosidade de todo o País, uma vez que praticamente todos os estados já manifestaram interesse de encaminhar esse tipo de presos ao primeiro presídio federal do Brasil. A unidade foi inaugurada ontem de manhã em Catanduvas, município rural de aproximadamente 11 mil habitantes na região de Cascavel (Oeste).
A cerimônia de entregue da obra iniciada há quase três anos movimentou o município, já que o evento trouxe autoridades nacionais de segurança e o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, ao lado do governador Roberto Requião (PMDB).
A Penitenciária Federal de Catanduvas é a primeira de uma série de cinco que a União pretende inaugurar até 2007. No início de 2003, primeiro ano de governo Lula, Thomaz Bastos garantiu a entrega do conjunto até o final desses quatro anos de mandato.
A instalação do presídio nos moldes em que foi apresentado, voltado a presos estaduais e federais (condenados ou em situação provisória) e com um aparato tecnológico ainda inédito no Brasil, faz valer na prática a Lei de Execuções Penais de julho de 1984. Ao todo, a cidade do Oeste paranaense conta com uma estrutura de 12,6 mil metros quadrados de uma construção feita sobre terreno rochoso. São 208 celas em celas individuais, divididas em quatro módulos, voltadas ao isolamento de detentos ligados sobretudo ao crime organizado ou capazes de comprometer a segurança de outras unidades do sistema penitenciário.
Inicialmente barrada pelo esquema de segurança local, a visita à parte interna do estabelecimento acabou liberada à imprensa, antes da chegada do ministro e monitorada pelo diretor do prédio, Ronaldo Urbano.
Da chegada à porta da primeira cela, são 17 portões de aço que encontram, logo de entrada, dois extensos corredores laterais destinados para canis. Bem anterior a esse passo, porém, o visitante que chegar passa antes por uma espécie de ''investigação'' que comprove ter ele até segundo grau de parentesco.
Passada essa fase, são colhidas impressões digitais e fotografias para um cadastro e a posterior vistoria em raio-x, detector de metais (quatro, um para cada ala) e revista via espectrômetro, dispositivo que detecta rastros de drogas e outras substâncias. Não apenas visitantes, como também funcionários e advogados só têm acesso às alas munidos de um cartão digital entregue para o acesso ao prédio. Aos advogados é vedado qualquer contato físico com o detento: no ''parlatório'', só se comunicam via interfone e intermediados por uma porta de vidro. As conversas não são gravadas, mas cada ponto da penitenciária é monitorado 24 horas por dia por mais de 200 câmeras de vídeo que registram até o movimento no interior da cela.
À exceção da fase de triagem, a circulação dos presos junto aos agentes é toda feita com capuzes. Dentro das celas, contam com um cano no teto, usado como chuveiro (banhos quentes ou frios de até 3 minutos), cama de concreto com colchão, sanitário e pia, mesinha e roupas, chinelo e calçado, travesseiro e cobertor - isso tudo nas celas simples, de 7 metros quadrados cada; aquelas de presos em Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) têm o dobro, uma vez que o espaço para banhos de sol, todo cercado por grades, fica no interior da cela.
O presídio ainda não tem bloqueador de celulares - aliás, esse meio de comunicação só é de fato restrito dependendo da abrangência da operadora. Não há previsão de mudar esse quadro, tampouco de definir se o dispositivo será mesmo instalado. ''Garantimos que aqui não entram celulares. Por ora, estamos estudando projetos de bloqueador e de rastreador; a idéia é não prejudicar a população local'', definiu o diretor.

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