A Secretaria de Estado da Saúde vai padronizar o diagnóstico e tratamento da leishmaniose. O primeiro passo será a localização em todo o Paraná de laboratórios para exames iniciais e de confirmação da doença. Locais como a Universidade Estadual de Maringá (UEM), considerada um dos maiores centros de pesquisas e de informação sobre a leishmaniose no Estado, poderão ser usados como laboratórios de referência para o diagnóstico.
As metas deste novo trabalho que será desenvolvido pela Secretaria da Saúde foram definidas ontem, em Maringá, no último dia do encontro de atualização sobre a leishmaniose que reuniu médicos e profissionais da vigilância epidemiológica de 22 regionais de Saúde do Paraná.
Outro objetivo da secretaria é preparar os municípios para lidar com doenças endêmicas. No caso da leishmaniose – que há mais de 30 anos é endêmica no Paraná – a probabilidade de epidemia nos dois próximos anos coloca em alerta os técnicos da Saúde.
O chefe do Centro de Saúde Ambiental da Secretaria de Sa© úde, médico Alceu Bisetto Júnior explica que, além de encontrar um padrão de exames, o objetivo é estabelecer um tratamento uniforme para a leishmaniose. Segundo o chefe, os médicos recebem informações variadas sobre a doença e acabam tendo práticas diferentes. Bisetto Júnior explicou que no Paraná quatro médicos foram treinados pelo Ministério da Saúde para serem canais de informações sobre a doença e monitores de turmas que serão formadas pela Secretaria de Saúde para o estabelecimento do padrão no atendimento da leishmaniose.
No Paraná os locais com maior incidência da doença são Cornélio Procópio, Francisco Beltrão, Maringá e Cianorte, municípios das regiões Norte, Sudoeste e Noroeste do Estado com maior quantidade de matas e rios. O inseto transmissor, flebotomíneo, também conhecido como birigui e cangalhinha, habita ambientes escuros, úmidos e com muitas plantas. O aumento no número dos casos este ano levou os técnicos da Saúde a verificar que o flebotomíneo tem aparecido próximo de casas com chiqueiros e galinheiros.
O primeiro sintoma da leishmaniose, que não é contagiosa de homem para homem, é o surgimento de pequenas feridas na pele que provocam coceira. Aos poucos as lesões aumentam até formarem uma úlcera. Se não for tratada eficazmente, a leishmaniose (conhecida popularmente como ferida brava) vai para o nariz e a boca causando sérias lesões que podem deixar a pessoa com defeitos na face. Como o tratamento é na base de injeções, cerca de 70 ampolas para cada doente, o diagnóstico precoce reduz o sofrimento.
A Funasa (Fundação Nacional de Saúde) vai colaborar com a Secretaria de Estado da Saúde no controle de doenças endêmicas no Paraná. Cerca de 600 funcionários serão transferidos para as 22 regionais de Saúde para atuar na prevenção de doenças como a leishmaniose, malária, dengue, febre amarela entre outras. A transferência obedece determinação do Ministério da Saúde (MS) para descentralizar as ações de controle de doenças.

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