O Paraná deve começar a operar até julho deste ano 13 unidades de recebimento e triagem de embalagens de agrotóxicos. A instalação das unidades faz parte do Programa Terra Limpa, projeto da Secretaria de Estado do Meio Ambiente em conjunto com a Associação Nacional de Defesa Vegetal cujo objetivo é evitar que as embalagens de agrotóxicos contaminem o ambiente. A primeira fase do programa entrou em operação no ano passado, com duas unidades-piloto de recebimento de embalagens nas cidades de Palotina e Santa Terezinha do Itaipu. A intenção é atingir cerca de 60 unidades em todo o Estado em no máximo dois anos, segundo o coordenador do programa o engenheiro-agrônomo Rui Leão Mueller, da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente.
De acordo com o Programa Terra Limpa, as embalagens de agrotóxicos devem passar pelo processo de tríplice lavagem - lavagem por no mínimo três vezes em água limpa, depois que o produto é totalmente utilizado. A água da lavagem deve ser entornada no próprio tanque do pulverizador usado para a aplicação, de maneira que haja aproveitamento total do defensivo.
Segundo os órgãos envolvidos no programa, o processo de Tríplice Lavagem, aprovado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, reduz a contaminação da embalagem para níveis mínimos. Dessa forma, é possível fazer a reciclagem controlada da embalagem, que é o reaproveitamento de materiais como vidro, plástico e metal por determinadas indústrias.
De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), o Paraná gera por ano, em média, 14 milhões de unidades de embalagens contaminadas de agrotóxicos em diferentes graus de toxicidade, o equivalente a cerca de duas mil toneladas de embalagens por ano. A legislação que trata do uso de agrotóxicos prevê que as embalagens contaminadas devem ser enterradas, o que vem sendo praticado até agora. No entanto, segundo a Suderhsa, há uma saturação de propriedades em função dessa prática e terras agricultáveis foram inutilizadas, por isso os próprios agricultores estavam buscando uma solução para o problema.
De acordo com a Suderhsa, grande parte das embalagens de agrotóxicos é jogada dentro de rios, queimada a céu aberto, abandonada nas lavouras ou enterrada sem critério, recicladas sem controle ou até reutilizada para o acondicionamento de água e alimentos. Essas práticas contaminam, por exemplo, os lençóis freáticos, e podem colocar em risco a saúde da população. De acordo com Rui Mueller, os técnicos envolvidos no programa constataram ainda que parte dos agricultores vende embalagens de agrotóxicos para recicladoras clandestinas.
Os 13 municípios paranaenses que terão unidades de recebimento de embalagens de agrotóxicos na primeira fase do Programa Terra Limpa são Cascavel, Colombo, Cornélio Procópio, Maringá, Morretes, Ponta Grossa, Prudentópolis, Renascença, São Mateus do Sul, Tuneiras do Oeste, Umuarama, além de Palotina e Santa Terezinha do Itaipu. A escolha dos municípios para instalação das unidades regionais, que estão sendo construídas com recursos do governo estadual, baseou-se em critérios como consumo de agrotóxico, tipos de cultura, área de plantio e número de produtores.

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