Curitiba- O Ministério do Meio Ambiente deu ontem o primeiro passo para recuperação das florestas com araucárias no Paraná. Cinco áreas estão sendo separadas para a preservação de mais de 70 mil hectares que eram particulares e passarão para a administração do governo federal. Ontem foi realizada uma audiência pública em Imbituva, na Região dos Campos Gerais. O município será contemplado com duas áreas: a Reserva Biológica das Araucárias (com 14,3 mil hectares) e o Refúgio da Vida Silvestre do Rio Tibagi (30,8 mil hectares).
A decisão de conservação de áreas com araucária foi tomada por causa da situação de penúria que a floresta enfrenta no Paraná. Atualmente, apenas 0,8% de toda a floresta que existia no Estado está conservada. Os ambientalistas alegam que a floresta de araucária está em extinção. ''Existe o risco eminente de extinção, mas ainda é possível estancar o processo de desmatamento e buscar a ampliação das áreas'', afirmou ontem Marino Elígio Gonçalves, superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Hídricos Renováveis (Ibama).
Hoje, a audiência pública será realizada em Ponta Grossa, às 19 horas, no grande auditório da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Na reunião, vai ser discutida a criação do Parque Nacional dos Campos Gerais (21,5 mil hectares) e da Unidade Refúgio de Vida Silvestre dos Campos de Palmas (16,2 mil hectares). Amanhã, as discussões serão realizadas em Turneiras do Oeste (49 quilômetros a sudeste de Umuarama), onde será apresentada a criação da Reserva Biológica das Perobas (com 10 mil hectares).
Até 2015, o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama pretendem reconstituir 30% da área original do Paraná. ''Não é uma utopia. Estamos trabalhando para isso'', garantiu o superintendente. O Ibama do Paraná determinou que todas as florestas nacionais com remanescentes de araucárias não mais possam ser exploradas economicamente. Elas serão transformadas em banco de sementes para formação de corredores de biodiversidade. Estudos demonstraram que cerca de 385 espécies da fauna dependem da Floresta de Araucária (para alimentação, proteção ou procriação). Além das cinco unidades do Paraná, serão criadas outras três em Santa Catarina.

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