O Paraná terá, a partir de fevereiro, um centro de referência para a América do Sul em pesquisas relacionadas ao câncer infantil. O projeto do Centro de Genética Molecular e Pesquisa de Câncer em Crianças, que será instalado em uma casa próxima ao Hospital de Clínicas de Curitiba, foi apresentado ontem pelo coordenador de pós-graduação em Pediatria do HC, Bonald Figueiredo, e pelo diretor da International Autrich Program, instituição que desenvolve trabalhos humanitários e científicos em crianças com câncer de países do Terceiro Mundo, Raul Ribeiro.

Um quarto dos equipamentos que serão utilizados no novo centro foram doados pelo Hospital Saint Jude, de Menphis (EUA), onde Ribeiro, que é paranaense, trabalha como médico. O hospital é considerado o quarto maior no atendimento a crianças com câncer. Segundo Figueiredo, o objetivo do centro é identificar meios de diagnóstico mais rápidos e precisos para o câncer em crianças, além da busca de novas formas de tratamento, procurando estudar sua origem.

''Queremos entender o porquê dos casos mais comuns no Estado, se eles estão associados ao meio ambiente, grupos étnicos ou ao aspecto genético dessa população'', diz Figueiredo. Ele cita como exemplo o tumor do córtex da glândula adrenal (localizada acima dos rins), que ocorre com mais frequência no Paraná e em São Paulo do que em outras regiões. Já se sabe que esse câncer é hereditário, afetando sobretudo meninas entre um e três anos. ''Agora queremos descobrir como surgiu o defeito genético para atingir mais especificamente esta região'', diz.

No centro será possível estudar crianças que apresentam mutação no DNA (parentes de outras crianças que tiveram esse tipo de câncer) e encaminhá-las para um acompanhamento clínico, o que pode levar à cura, com a extirpação do tumor na sua fase inicial. ''Um tumor dessa natureza só seria diagnosticado por um médico a partir das alterações físicas da criança e, quando isso ocorre, a chance de cura é de apenas 40%, já que o estágio é avançado'', afirma Figueiredo. Dos casos analisados, entre 50% e 60% morreram. ''Podemos mudar radicalmente para zero por cento, porque a criança passa a ser acompanhada desde o início'', diz o médico.

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