PR tem várias espécies transmissoras da malária
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quarta-feira, 27 de outubro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba-O Paraná tem 21 espécies diferentes de mosquitos, das quais pelo menos quatro são consideradas mais importantes para a transmissão da malária. É o que revela pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde. Com base no levantamento, feito entre 1997 e 1999, os técnicos estão analisando o comportamento das espécies para avaliar os riscos de contágio. A intenção é identificar as áreas críticas e incrementar ações de vigilância epidemiológica. Este ano, o Paraná teve 130 casos confirmados de malária.
O coordenador de pesquisas em entomologia médica da Secretaria da Saúde, Allan Martins da Silva, explicou que o estudo está sendo revisado e será encaminhado ao Ministério da Saúde nas próximas semanas. O trabalho que é considerado recente, pois os últimos dados foram coletados há mais de 50 anos fará parte da Carta Anofélica do País (levantamento da fauna de mosquitos).
Com base nessas informações e nas características epidemiológicas, do clima e condições socioeconômicas que deverão ser enviadas por todos os estados brasileiros o governo federal irá reformular as ações e envio de recursos para o combate da doença. A malária é endêmica na Região Norte do País. O Paraná é considerado de baixo risco para a transmissão da doença.
Durante a pesquisa paranaense, foram capturados 94.004 mosquitos em 74 localidades de 53 municípios, onde houve registro da malária nos cinco anos anteriores à realização do estudo. De acordo com Silva, o mosquito da espécie Anopheles darlingi, principal transmissor na América do Sul, foi encontrado na Costa Oeste, especialmente nos municípios do entorno do Lago de Itaipu. Já as espécies Anopheles cruzii e Anopheles bellator, que têm as bromélias como criadouros naturais, foram encontradas em maior número na região litorânea. A espécie Anopheles albitarsis está distribuída por várias regiões do Estado.
Os técnicos envolvidos na pesquisa, segundo Silva, trabalham com a hipótese de outras espécies estarem, também, transmitindo a malária no Paraná. Por isso, além de identificar as espécies de maior importância na transmissão da doença, os estudos sobre a incidência nas regiões e sobre o comportamento dos mosquitos (principalmente em relação à tendência de sugar sangue de humanos) serão aprofundados.
Dos 130 casos de malária registrados este ano, em apenas cinco todos em Foz do Iguaçu o contágio aconteceu dentro do próprio Estado. Cerca de 89% dos doentes (115) contraíram a doença em outros estados. A maior parte deles havia estado em Rondônia e no Paraguai. O restante (10) foi de notificações de doentes que tiveram recaídas.
O médico da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores, Enéas Cordeiro de Souza Filho, disse que a média de casos de malária vem se mantendo estável nos últimos anos. Segundo ele, apesar do Paraná ser considerado de baixo risco, o Ministério da Saúde adotou critérios rigorosos para o controle epidemiológico da doença e, com isso, o registro de um único caso autóctone é considerado surto. A preocupação, acrescentou o médico, é que o doente seja diagnosticado e tratado precocemente para evitar o contágio de outras pessoas.


