Curitiba- Estimativas da Polícia Civil demonstram que de janeiro a junho deste ano, o Paraná registrou 90 furtos e roubos de cargas. Deste total, 54 foram ataques realizados a pequenos veículos de transporte de cigarros em Curitiba e Região Metropolitana. Os demais (36 ocorrências) foram roubos registrados no interior do Paraná e que tiveram como cargas preferidas os eletroletrônicos, soja e cigarro. ''Hoje em dia o assalto a carregamentos está comum e as quadrilhas são difíceis de ser desarticuladas pela demora da informação à polícia'', informou ontem o delegado titular da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, Roberto Almeida Júnior.
A média de assaltos é considerada alta no Estado: uma a cada dois dias. No primeiro semestre deste ano, apenas oito pessoas foram presas. ''O motorista geralmente é rendido nestes assaltos e somente é libertado 12 horas depois, quando a carga já foi para um receptador e o caminhão foi liberado'', explicou o delegado. O assunto, que preocupa empresas transportadoras e seguradoras, foi discutido ontem durante o Congresso Sulamericano de Logística e Transporte, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
O roubo de cargas movimentou nos últimos sete anos, segundo estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), cerca de R$ 550 milhões. A experiência argentina no combate a este tipo de crime foi uma das atrações do encontro. De acordo com Eduardo Poverene, da Câmara Empresarial de Apoio Logístico da Argentina, foi criada uma comissão para atuar no combate ao roubo de cargas. ''Juntamos seguradoras, supermercados, fábricas e fiscais da Receita Federal. Conseguimos mudar o perfil do País. Diminuimos em 50% os roubos na Argentina, que chegavam a dez por dia'', contou Poverene.
Uma das dificuldades enfrentadas pelo grupo foi o envolvimento de policiais e políticos no esquema de roubo de cargas. ''Aos poucos fomos desmontando essa ligação e hoje a polícia e os políticos atuam do nosso lado, contra o crime'', confidenciou. As fiscalizações fiscais aumentaram e os flagrantes em lojas de venda de produtos roubados começaram a ser constantes. Uma lei foi criada para obrigar as lojas que forem flagradas vendendo peças roubadas ou pirateadas a não apenas devolver o material roubado, mas a dar todo o estoque aos cofres públicos. ''Só se combate este tipo de crime se atuarmos junto aos receptadores. Eles é que precisam ser descobertos e punidos. Se não tiver quem compre, não terá quem roube'', afirmou.
Poverene acredita que a experiência argentina possa ser aplicada em todos os países do Mercosul. ''Temos que socializar o que dá certo. Nossa experiência é vitoriosa'', comemorou.

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