PR tem quase 2 milhões de idosos no campo
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2004
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Curitiba- Os dados são os mais atualizados que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dispõe, mas valem para a realidade atual. Treze porcento das 31,8 milhões de pessoas que viviam no campo, em todo o Brasil, tinham, de acordo com o censo de 2000, mais de 55 anos. Destes, cerca de 1,6 milhão participavam e contribuíam para o Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR). No Paraná, de acordo com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), no período pesquisado pelo IBGE, havia 1.777.374 agricultores idosos.
Ontem, cerca de 70 dirigentes se reuniram em Curitiba na primeira plenária de trabalhadores rurais da terceira idade, organizada pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep). Os principais temas debatidos foram o Estatuto do Idoso, a previdência e assistência social, o lazer para e políticas gerais. O debate serviu para a elaboração de um documento com reivindicações, que será levado para o 1º Congresso Nacional dos Trabalhadores Rurais da Terceira Idade e que será promovido em abril pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Como se não bastassem as dificuldades enfrentadas no dia-a-dia e a insegurança econômica que ronda cada safra, a informalidade também torna a velhice dos trabalhadores rurais mais penosa. O delegado regional do Trabalho, Geraldo Serathiuk, informa que 80% dos trabalhadores rurais do Paraná trabalham sem carteira assinada. Os setores que mais concentram o trabalho informal hoje no Estado são os de café, hortaliças, criação de frango, fumo e mandioca.
O presidente da Fetaep, Ademir Mueller, acredita que trabalho informal tem atingido níveis cada vez mais altos porque já é uma cultura enraizada no setor rural. ''Faz parte da cultura das pessoas, que não têm documentos, não se preocupam em tê-los, e, isso vai passando de geração para geração.''
Segundo Mueller, os que enfrentam maiores dificuldades na hora da aposentadoria, que fixa idade mínima de 60 anos para homens e 55 anos para mulheres, são os assalariados rurais, como os bóias-frias, por exemplo. De acordo com Mueller, cerca de 420 mil assalariados rurais que trabalham no Paraná, apenas 30% são formalizados. Já, na agricultura familiar, a informalidade é bem menor. No Estado, trabalham cerca de 800 mil trabalhadores em aproximadamente 320 mil propriedades rurais, segundo ele.
A informalidade faz com que, anualmente, no Brasil, mais de um milhão de trabalhadores rurais deixem de ter acesso aos benefícios. No Paraná, segundo a Fetaep, cerca de 50 mil trabalhadores não têm aposentadoria. O Brasil tem cerca de 6,9 milhões de trabalhadores rurais aposentados. No Estado há 550 mil trabalhadores rurais aposentados com um salário mínimo.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) paga mensalmente 6,9 milhões de benefícios rurais. Cada aposentadoria, pelos dados do IBGE, beneficia mais 2,5 pessoas - o que equivale a 23 milhões de beneficiários diretos e indiretos somente no campo. No Paraná, em outubro de 2003, o INSS pagou 552.179 benefícios rurais no valor de R$ 127.280.604,69.


