PR tem baixo índice de doação de órgãos para transplantes
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terça-feira, 15 de maio de 2007
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- O Paraná ficou em nono lugar entre os estados brasileiros no ranking de doação de órgãos para transplante, com uma taxa de 5,4 doadores por milhão de população (pmp), em 2006. O levantamento divulgado, ontem, pela Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), com base no Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), mostra que as doações no País, no ano passado, mantiveram-se estáveis em relação a 2005. A proporção de doadores foi de 6,0 pmp e 6,3 pmp, respectivamente.
O coordenador da Central de Transplantes do Paraná, Carlos Renato d'Ávila, contesta os dados apresentados pela ABTO. Para ele, a metodologia usada pela instituição induz a uma visão distorcida da realidade. ''A taxa anual de potenciais doadores cadáveres do Paraná é de 38,8 por milhão, bem acima da média nacional que é de 30,6'', diz.
D'Ávila esclarece que o percentual de ''doadores efetivos'', sim, é menor que o número nacional -13,8% no Paraná contra 19,7% no Brasil-, mas isso em função do rigor na triagem dos doadores. O índice de descarte de doadores por contra-indicação médica no Paraná é alto: 51,8%, enquanto a média nacional é de 38,6%. ''O Paraná não distribui órgãos marginais'', afirmou d'Ávila, ao explicar que, havendo sorologia positiva para qualquer doença infecto-contagiosa, a retirada de órgãos é descartada.
Para a presidente da ABTO, a nefrologista Maria Cristina Ribeiro de Castro, o número insuficiente de doações é reflexo da falta de campanhas de informação e o precário funcionamento das comissões intra-hospitalares de doação e transplante, obrigatórias em hospitais com mais de 80 leitos. ''Com essa situação, menos de 30% dos pacientes em lista conseguem receber um transplante'', destacou a médica em nota distribuída pela assessoria de imprensa.
Já o coordenador da Central de Transplantes acredita que, no Paraná, as comissões intra-hospitalares vêm realizando um excelente trabalho.''Tanto que temos o menor índice de recusa de familiares na doação de órgãos -16,8%'', argumentou. O aumento, em 2006, nas notificações de morte encefálica (34,2%) e de coração parado (118%), segundo ele, também são resultado do aprimoramento no trabalho dessas comissões.
O estudo da ABTO aponta, ainda, que, em 2006, houve aumento nos transplantes de córneas (16%), hepáticos (6,7%) e de pulmão (8,9%). Já o número de transplantes de coração diminuiu cerca de 30%, assim como os de pâncreas (-11%) e de pâncreas e rim combinado (-6%).
A ABTO estima que o Brasil tem cerca de 65 mil pessoas na fila por transplante. A Central do Paraná tinha, até abril, 4.960 pacientes cadastrados. As maiores demandas são por transplante de rim (2.686) e córnea (1.655).


